Carvalho nega crítica à PF por prisão de Rainha

Em nota, ministro diz que não quis se intrometer em operação; parlamentares da oposição denunciam 'conivência' do governo

Eduardo Bresciani, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2011 | 00h00

Um dia depois de ter declarado que a prisão do líder dissidente do Movimento dos Sem-Terra (MST) José Rainha Júnior "tumultua o processo de reforma agrária", o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, divulgou nota ontem para tentar amenizar o impacto de suas afirmações, dizendo que não pretendeu se intrometer no trabalho da Polícia Federal. Ao mesmo tempo, parlamentares da oposição foram ao ataque, para condenar o comportamento do ministro e o próprio governo.

"Em nenhum momento pretendi imiscuir-me no processo de investigação que levou às prisões, certamente conduzido na forma da lei, a mesma lei que assegura aos acusados o direito de defesa e os preserva de condenações açodadas, antes do devido processo legal", argumentou Carvalho na nota, reafirmando, contudo, que as prisões realizadas pela PF e os fatos sob investigação "são negativos para o processo de reforma agrária". A Operação Desfalque levou à prisão de Rainha e outras nove pessoas acusadas de desvio de dinheiro público.

Para o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), o governo é "condescendente" com criminosos. "Esse José Rainha é um bandido reconhecido, assassino, invasor, homem que jamais poderia estar solto, e o diálogo com o movimento social é uma outra coisa. O ministro Gilberto Carvalho está totalmente equivocado", criticou Demóstenes.

Congressista atuante nas comissões parlamentares de inquérito que investigaram ações do MST, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) ressaltou que Rainha tem quatro condenações pela Justiça e também criticou a posição do ministro. "Se fosse a primeira vez, ainda seria aceitável, mas já passamos da quarta, não há mais o que se fazer reparo, defender o Rainha agora é conivência."

Onyx afirma que o MST é abastecido por dinheiro público e trata a reforma agrária como "fracasso". "São mais de 20 anos de um processo de reforma agrária e menos de 3% dos assentamentos se emanciparam. É um fracasso que só continua devido a um discurso ideológico do PT".

Defesa. O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), minimizou as declarações de Carvalho. Ele destacou a proximidade do ministro da Secretaria-Geral da Presidência com os movimentos sociais e enfatizou que a ação na qual Rainha foi preso foi desencadeada pelo próprio governo. "Quem foi que prendeu o Rainha? Foi a Polícia Federal, vinculada ao Ministério da Justiça, que é um órgão do governo. Essa é a melhor resposta para qualquer crítica."

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