Casa condenada é derrubada na zona sul de São Paulo

Faz quatro meses que o coletor de lixo Francisco dos Santos, de 32 anos, decidiu construir o segundo andar da casa de tijolos que ergueu há três anos na Rua Hélio Lobo, beirando o córrego Água Espraiada, na Favela Alba, em Vila Santa Catarina, zona sul de São Paulo. De três cômodos, o lugar passou a ter cinco. Mas na tarde de terça-feira, funcionários da Subprefeitura do Jabaquara tiveram de derrubar a casa nova de Francisco. Durante a madrugada, a construção inclinou e colocou em risco moradores de dois barracos vizinhos.No fim de dezembro, Francisco percebeu, pela primeira vez, uma leve inclinação. "O telhado estava um palmo mais longe do lugar em que costumava ficar." Uma semana depois, a distância dobrou para dois palmos. Foi então que, no último dia 16, Francisco foi até a Subprefeitura do Jabaquara, onde preencheu um auto de interdição. Sem ter para onde ir, o coletor ficou na casa inclinada por mais oito dias. Mudou-se com a filha de nove anos, Daiane, para uma casa de dois quartos, que alugou por R$ 250 mensais.Embora não tivesse ninguém na casa, a inclinação assustou os vizinhos, que ouviram estalos durante a noite de segunda-feira, enquanto chovia forte na região. "Fiquei muito nervosa, tive que tomar calmantes", relatou a agente comunitária de saúde Janete Alves dos Santos, de 44 anos. Ela disse que não dormia desde o dia 25, quando Francisco deixou o local. Quando Janete viu o barraco inclinar, tirou os quatro netos de lá, chamou a polícia e o Corpo de Bombeiros. A casa dela e a de outra vizinha foram interditadas.Depois de derrubada a casa de Francisco, ninguém falou em soluções para os barracos que estão em área de risco (a subprefeitura não soube especificar quantos são, afirma apenas que há 700 em toda a favela). O assessor técnico da Defesa Civil da subprefeitura, José Kanashiro disse que depois de elaborado o auto de interdição, "muitas pessoas reconstroem os barracos ou são inseridas em programas habitacionais."A solução, segundo ele, seria colocar em prática o plano de ampliação da Avenida Jornalista Roberto Marinho, que passaria ao lado do córrego depois de sua canalização e chegaria à Rodovia dos Imigrantes. Mas a obra, orçada em R$ 1 bilhão, ainda não saiu do papel.

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