Casa de petista, espeto de tucano

Cunhada do presidente Lula, moradora de São Bernardo e fundadora do PT, Otília Casa resolveu votar nos candidatos tucanos Serra e Alckmin

Bruno Tavares, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2010 | 00h00

Teresa Otília Casa tinha tudo para ser petista de carteirinha. Nasceu e se criou em São Bernardo do Campo, o berço do movimento sindical nos anos 70 e 80, ajudou a fundar o partido e tem como cunhado ninguém menos do que o presidente Lula. Mas nem toda essa trajetória ou os laços familiares fazem ela mudar seu voto nas eleições deste ano. É José Serra para presidente e Geraldo Alckmin para o governo do Estado.

"Eu vou votar no Serra, mas não porque me recuso a votar na Dilma", pondera a irmã caçula da primeira-dama Marisa Letícia. "É que acredito muito no Serra. Ele tem uma cultura fora do comum. Já o Alckmin tem um carisma tremendo, sou fã dele."

Aos 57 anos, separada, mãe de dois filhos e três netos, Teresa diz ter acumulado dissabores com o PT. A ruptura definitiva com o partido se deu em 1986. Dois anos depois, se aliou ao médico William Dib, que governou São Bernardo entre 2003 e 2008. "O PT não abre as portas para ninguém. Parece que eles têm medo de que alguém seja melhor do que eles. Me sentia acuada lá dentro", comenta.

Foi no PSB que Teresa se encontrou. Em 2004, saiu candidata pela legenda à Câmara de São Bernardo do Campo. Teve 789 votos. "Não foi ruim se você levar em consideração que fiz só dois meses de campanha."

Uma queda na escada do sobrado em que vive com o filho caçula, de 28 anos, a fez adiar o sonho de concorrer pela segunda vez ao Legislativo. A grave lesão na coluna, que exigiu cirurgia para a colocação de uma prótese, deixou Teresa Otília de cama por um mês e meio. "Agora que já estou melhor, quero concorrer de novo."

Na família, ela evita os assuntos partidários, principalmente na presença do cunhado e da irmã famosos. Apesar disso, admite, não consegue escapar das brincadeiras de Lula sobre suas preferências políticas.

"Ele é um tirador de sarro", diz Teresa. "Sempre que nos encontramos ele (Lula) fala para eu lagar o "gordinho"", em referência ao padrinho político dela, William Dib, candidato pelo PSDB à Câmara dos Deputados.

Teresa não desaprova os dois mandatos do cunhado. "Gosto muito do Lula, é um grande líder." As críticas vão para os "companheiros". "Se fosse só o Lula tudo bem. Mas não é assim. Tem os deputados, os senadores. Ele acredita demais em quem não deveria. Olha o Dirceu, o Genoino, o Delúbio. Pior é que estão todos aí de novo".

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