Casa noturna que desabou não tinha alvará de funcionamento

As duas casas que organizaram a festa Ladies First, em Guarulhos, que acabou em tragédia na madrugada deste domingo com a morte de 6 pessoas e 126 feridos, não têm habite-se nem alvará de funcionamento. "A obra foi embargada pela prefeitura no final de 2001 porque começou a ser construída quando o pedido de autorização ainda estava em processo de avaliação", disse o secretário de Governo de Guarulhos, Moacir de Souza. "Além disso, acabou sendo multada porque o proprietário não respeitou o embargo". Também não consta pedido à prefeitura para que fosse autorizada a realização dos eventos. Segundo Souza, o proprietário das casas chama-se Wilson Gonçalves e tem o apelido de Wilson Gaivota. Ele não foi encontrado para comentar o desabamento, nem se apresentou à polícia. O dono dos imóveis, bem como os organizadores da festa, são investigados no inquérito instaurado no 1º Distrito Policial por homicídio culposo e lesão corporal culposa. O promotor da festa, Cláudio Pereira, conhecido como Carlos Perereca, foi procurado pela reportagem, mas não atendeu às ligações.O delegado de plantão, Wellington Newton Marinho de Moura, disse que já foram ouvidas várias testemunhas, mas ninguém da organização do evento se apresentou para prestar esclarecimentos. "Fomos ao local, os peritos coletaram material e já estão trabalhando no laudo. Também esperamos informações oficiais da prefeitura sobre o alvará e uma planta do local."O vereador Sebastião Alemão, presidente da Câmara Municipal, é candidato do PSDB à reeleição e seu escritório eleitoral funciona na casa contígua ao acidente. Alemão disse ocupar a casa gratuitamente porque é amigo de Gonçalves, o dono do imóvel. "A casa estava parada, então ele nos cedeu", afirmou. Ele diz temer o uso político do acidente, já que pertence ao PSDB e o atual prefeito, também candidato à reeleição, ao PT. "Quero deixar claro que eu não tenho nada a ver com essa festa. Não promovemos nada. Todo nosso material de campanha foi apreendido."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.