Casal é empurrado de penhasco na Niemeyer

Empresário e namorada foram jogados de paredão de 30 metros na zona sul do Rio; 4 suspeitos foram presos, após suposta surra dada por traficantes

Clarissa Thomé e Talita Figueiredo, O Estadao de S.Paulo

05 de março de 2009 | 00h00

Um casal escapou da morte depois de ser jogado do penhasco da Avenida Niemeyer, que liga Leblon e São Conrado, zona sul do Rio, na noite de terça-feira. O empresário Marcelo Viana, de 43 anos, e a namorada dele, a publicitária Paula Guimarães Barreto, de 31, sofreram um sequestro relâmpago na saída de um restaurante na Lagoa Rodrigo de Freitas. Depois de entregarem todos os pertences, sem que esboçassem reação, foram empurrados do alto de um paredão rochoso de 30 metros. A polícia prendeu no início da noite quatro homens acusados do crime, após uma denúncia anônima. Áudio: vítima conta os momentos de tensão durante o rouboViana, que havia sido agredido a coronhadas, agarrou-se a uma árvore, depois de rolar por 10 metros. Paula segurou-se às pedras e conseguiu chamar por socorro. Depois de jogar o casal, os assaltantes cruzaram com policiais na Avenida Niemeyer e ainda os cumprimentaram.O casal saía do restaurante Pomodorino, na Lagoa, no Audi de Viana, quando uma Pajero encostou. Quatro homens saíram do carro e anunciaram o assalto. O empresário e a namorada entregaram joias, relógios, carteiras e celulares. "Eu tentava acalmá-los, disse que o carro não tinha alarme. E eles me deram uma coronhada na cabeça", contou o empresário.O momento mais tenso ocorreu quando os criminosos perguntaram onde era o apartamento do casal. Viana, pensando que seriam liberados, disse que morava em Ipanema, onde estavam. Os assaltantes quiseram ir para a casa dele. "Pensei errado. Achei que iam nos deixar ali. Aí falei que morava na Barra. Levei outra coronhada. Um deles disse: ?Tá maluco, quer morrer?? E começaram a discutir: ?Vamos matar eles logo?." Os assaltantes seguiram pela Avenida Niemeyer. Quando o carro estava próximo do Motel Vip?s, os criminosos disseram que eles ficariam ali. Mandaram que sentassem na mureta. Viana foi jogado, provavelmente com um chute. Em seguida, foi a vez de Paula. "A gente estava em pé, na mureta, e eles simplesmente jogaram a gente, de maldade", contou a publicitária à Rádio CBN.CONFISSÃOOs suspeitos do crime permaneciam ontem à noite no Hospital Miguel Couto, no Leblon (zona sul), onde foram atendidos após supostamente serem espancados por traficantes da Favela da Rocinha, onde moravam. A polícia desconfia que a surra se deva à repercussão do caso, que fez a polícia passar o dia na favela. Três foram capturados por PMs na frente de um supermercado. O quarto foi detido na frente da unidade de saúde, onde buscara assistência médica. A polícia recebeu uma denúncia anônima de onde encontrar os suspeitos. Segundo a delegada responsável pelo caso, Tércia Amoedo, que esteve à noite no hospital, dois deles confessaram o assalto. "Mas tudo só será esclarecido amanhã (hoje), com o testemunho e reconhecimento que será feito pelo casal."Segundo a delegada, dois dos presos têm passagem pela polícia: Thiago Faustino Apolinário dos Santos, de 20 anos, foi preso por roubo e Antônio Manuel Carvalho Ribeiro, de 33, tem cinco anotações na ficha por furto. Os outros dois, Alexandre dos Santos e Wilson Alves da Silva, ambos de 19 anos, não têm passagem pela polícia.

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