Casal é preso acusado de fabricar remédios clandestinamente

A polícia de Assis, na região de Presidente Prudente, prendeu na quinta-feira, 2, o nutricionista Antonio Benedito Schiavon, 40 anos, e a mulher dele, Lucilene da Costa Schiavon, 39, acusados de fabricar clandestinamente pelo menos oito tipos de medicamentos para uso terapêutico, que eram vendidos e distribuídos a farmácias de dezenas de cidades do interior de São Paulo.Os remédios Broncomax, Glicale, Energy, Biosaudável, Tribulan, Menoplus, Camiplus e Reumastil, da linha Bio Flora, que eram vendidos em forma líquida, em embalagens plásticas de 300 mililitros, prometiam a cura de diversas doenças, como bronquite, diabetes, artrite, gripe, resfriados, impotência, tuberculose e outras.De acordo com o delegado Nivaldo Parrilha, os medicamentos não tinham autorização de órgãos competentes, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e eram fabricados com "supervisão" de um farmacêutico responsável possivelmente fantasma, já que este não foi encontrado e o número do registro profissional no Conselho Regional de Farmácia (CRF) não existe.Além disso, segundo Parrilha, a empresa Maria Marina Moreira da Costa ME, inscrita nas embalagens como responsável pela produção, também é fantasma, uma vez que o CNPJ inscrito nas embalagens como sendo dela não existe. "Os investigadores foram ao endereço, na cidade de Indiana (SP) e lá não há nenhuma microempresa responsável por medicamentos. Há apenas uma casa de família que nada tem a ver com o caso", disse. Para variar, embora as caixas falassem em "medicamento natural" as embalagens dos remédios indicam o uso terapêutico.O casal, que também é dono de uma farmácia de produtos naturais, no centro da cidade, fabricava os medicamentos num laboratório clandestino instalado na empresa Schil-Life, no Distrito Industrial de Assis. A Schil servia para o casal preparar as fórmulas dos produtos naturais vendidos na farmácia, mas ultimamente servia apenas para fabricação dos medicamentos. No local, os policiais apreenderam uma grande quantidade de caixas com os medicamentos, rótulos, orientações para bulas e diversos talões de notas fiscais comprovando o envio dos medicamentos para farmácias de cidades do interior de São Paulo.A Vigilância Sanitária lacrou o laboratório clandestino e autuou a farmácia natural. A polícia vai agora, junto com a vigilância, localizar as farmácias que receberam os medicamentos e fazer a apreensão dos medicamentos.De acordo com Parrilha, ao ser preso, o nutricionista disse desconhecer qualquer ato ilegal pela fabricação e venda dos medicamentos, que eram feitos a base de mel, catuaba, ervas e outros produtos naturais e não teriam contra-indicações.Schiavon, segundo Parrilha, responderá por crime contra a saúde pública ao fabricar, manter um depósito e colocar a venda produto de interesse à saúde, em desacordo com a legislação e sem autorização de órgão responsável. O advogado de Schiavon não foi encontrado para falar sobre o assunto.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.