Casal ganha apoio da Justiça para trazer filho ao Brasil

O casal Roberson Tavares dos Santos, 24 e Flávia Aline Boreski, 21, de Umuarama, a 450 quilômetros de Curitiba, ganhou um importante reforço nesta sexta-feira, 19, na tentativa de repatriar o garoto Edygleison Martins dos Santos, 3, que está na Inglaterra. A justiça brasileira colocou um defensor público para tratar do assunto diretamente com a justiça da Inglaterra e comprovar que os pais têm condições de cuidar da criança e que ela receberá o tratamento médico especial que necessita.Edygleison sofre da Síndrome de Wiskott Aldrich, uma doença rara e similar à leucemia que ataca homens, no qual o paciente pode ser curado por meio de um transplante de medula óssea. Entre os seus sintomas, a pessoa pode apresentar hematomas e transpirar sangue pelos poros.O drama começou em setembro do ano passado. O casal vivia na cidade pesqueira de Grimsby, cerca de três horas de carro de Manchester, quando o garoto ficou doente. Ao levá-lo ao hospital da região, os médicos, segundo Flávia, confundiram os sintomas da doença, principalmente o sangramento no nariz, com agressões e acionaram a polícia. A partir daí, conta Flávia, os ingleses passaram a tratá-los como criminosos até que o caso foi esclarecido. "Mesmo assim, ele foi levado para um abrigo, onde são colocadas crianças agredidas nas suas casas. Após isso, Roberson voltou para o Brasil, pois os policiais chegaram inclusive a fazer buscas em casa". Flávia disse que antes de retornar, a guarda da criança foi passada para Cleberson Tavares, tio da criança e com cidadania portuguesa, o que o possibilitaria a cuidar legalmente da criança. "A justiça inglesa determinou que nosso filho fosse levado para junto de uma família local, onde é acompanhado por uma assistente social. Minha sogra também faz visitas (duas horas por semana), e esses são os poucos momentos em que podemos ver nosso filho pela internet", disse.O fato de Edygleison estar com seu visto de turista vencido pode ser um aliado do casal para colocar fim ao drama, pois ele seria deportado e poderia morar novamente com os pais, que já recorreram ao Itamaraty para uma possível intervenção no caso, mas não obtiveram sucesso.A principal briga, porém, com a justiça inglesa é comprovar que o menino terá amplas condições de tratamento no Brasil "Já contatamos alguns especialistas que podem indicar tratamentos em São Paulo, Curitiba, em outras grandes cidades", afirmou Flávia.Por causa da lei inglesa que interpreta como crime a interrupção de tratamento médico, os pais precisam comprovar que ele receberá os mesmos cuidados para sua saúde. "Vamos mostrar que temos essa condição", concluiu.

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