Casal que tentou matar os filhos vivia em "harmonia total"

Amigos e parentes do casal Alexandre Alvarenga e Sara Maria Alvarenga, acusados de tentar matar os dois filhos, reuniram hoje a imprensa em Campinas para relatar sua perplexidade ante os acontecimentos. Muito emocionado, o pai de Sara, Santo Otávio Rosolen, disse que não pôde atender aos jornalistas antes porque não tinha condições emocionais. Ele comentou que precisou ser medicado e que está sob acompanhamento médico. Rosolen lembrou que ficou sabendo do incidente quando estava em Pirassununga, na casa dos sogros. Ele disse que fez as malas e voltou para Campinas ainda sem saber que os netos haviam sido agredidos. "Não entendi o que aconteceu", afirmou.O pai de Sara comentou que esteve com a filha apenas duas vezes depois do crime, quando ainda estava internada no Hopsital Celso Pierro, da PUC, em Campinas, mas não conseguiu falar com ela porque Sara estava sob efeito de sedativos. "Apenas abençoei os dois e pedi que Deus tivesse compaixão deles." Rosolen enfatizou que perdoou a filha e que continua considerando Alexandre seu filho, como sempre fez. Durante a entrevista ele se referiu a ambos como "meus dois filhos". O pai de Sara afirmou não acreditar que a filha e o genro utilizassem entorpecentes nem que participassem de alguma seita satânica."Não sei de onde isso apareceu. Gostaria de saber o que ocorreu naquele dia. Eles viveram a vida inteira em harmonia total e sempre educaram muito corretamente os dois filhos", garantiu.A filha de Alexandre e Sara está sob a guarda de Santo Rosolen e de sua mulher, Neide. O avô contou que a menina chama sempre pelos pais. Diz que gostaria de falar com eles, mas ainda não pode. Segundo Rosolen, a neta está freqüentando normalmente a escola e tem uma rotina normal. Ele acrescentou que a criança e o bebê, filhos do casal, deverão permanecer sob a guarda dos avós maternos, já que a mãe de Alexandre é viúva e tem uma filha de 27 anos com deficiência mental. Segundo o avô, há um acordo entre as duas famílias para que os netos permaneçam com ele e a mulher. A menina, conforme Rosolen, está tendo acompanhamento psicológico. Ele comentou que a criança relatou o que aconteceu no dia do acidente, mas explicou que não pode entrar em detalhes por questões jurídicas. "Eu não posso falar nada, mas ela me disse que estava tudo em paz no veículo, momentos antes do acidente, e chegou a assumir a culpa pelo acidente", limitou-se a dizer.Santo insistiu que não havia nenhum motivo para a agressão do casal contra os filhos, e acredita que somente um problema psiquiátrico pode justificar o crime. "Tenho certeza absoluta disso", afirmou. Ele identificou a crise do casal como "um estresse no último pico".A prima de Alexandre, Sandra Regina Silva, contou que o casal almoçou com sua família 20 minutos antes do acidente. Segundo ela, eles estavam tranqüilos e brincalhões. "Foi um choque para nós todos, é difícil entender o que aconteceu", disse, lembrando que Alexandre e Sara sempre a aconselhava sobre o casamento. O pai de Sara contou que a família vivia unida e sempre fazia refeições juntos.O advogado de Sara, Pedro Renato Marcelino, explicou que conversou com ela nos últimos dias. Diz que ela se lembra apenas parcialmente do que aconteceu na tarde do crime. De acordo com Marcelino, ela se lembra do acidente, recorda ter pego o filho no colo e a filha pelas mãos, e de ter deixado o local do acidente porque Alvarenga a mandou correr. Ela contou ainda ao advogado que falou para o marido que o bebê estava pesado em seu colo, ele então segurou o filho e andou cerca de 40 metros com ele em seu colo. Depois disso, conforme Marcelino, ela não se recorda mais do que aconteceu. Ele afirmou que ainda não é possível saber se o acidente foi provocado por Alvarenga ou não. Mas disse que Sara garantiu não ter nenhuma relação com alguma seita satânica. Ele comentou no entanto, que não fez nenhuma pesquisa no computador do casal, e nem em objetos pessoais para buscar informações que pudessem levar a algum esclarecimento sobre o crime. Marcelino afirmou que vai pedir um novo laudo psiquiátrico para saber porque Sara não reagiu para proteger os filhos contra as agressões do pai. Mas ele reconheceu que não é necessário um tratamento psiquiátrico para sua cliente. O advoghado disse que irá aguardar o julgamento do mérito da ação de habeas corpus que solicitou ao Tribunal de Justiça de São Paulo, o que deverá ocorrer em cerca de 30 dias.O pai de Sara despediu-se da imprensa afirmando que quer entender o que aconteceu e acredita que só os médicos podem explicar. "Pedi a Deus, afasta de mim esse cálice, mas não foi possível. Estou passando o que Jesus passou e coloco o futuro dos meus filhos nas mãos de Deus", disse.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.