Casal queria R$ 100 mil de Uip

Extorsão começou em maio; golpistas fizeram compras em nome do médico

Marcelo Godoy e Fabiane Leite, O Estadao de S.Paulo

14 de dezembro de 2007 | 00h00

Uma trama de ameaças, chantagens e extorsão contra o infectologista David Uip terminou anteontem na prisão de um casal. Presidente da Fundação Zerbini, responsável pela gestão do Instituto do Coração (Incor), Uip havia procurado a polícia em maio, quando recebeu a primeira ameaça. ''''Você tem uma amante e nós vamos contar para sua mulher'''', dizia o telegrama falado. Era só o começo. Os golpistas se apropriaram dos dados bancários de Uip, fizeram compras em nome dele e até transferências de dinheiro de suas contas. Ameaçaram matar sua filha. Por fim, exigiram R$ 50 mil para deixá-lo em paz.Foram presos Andrea Mimessi Fett Rossi, de 32 anos, ex-coordenadora do call center do Incor e seu marido, o administrador de empresas Anésio Rossi Junior, de 34. O Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) não descarta a hipótese de participação de outras pessoas, mas disse que, por enquanto, não há provas contra mais ninguém.De maio a outubro, bandidos enviaram telegramas e fizeram telefonemas de madrugada para a casa do médico. Quando Uip atendia, desligavam. Em outubro, começaram os e-mails com ameaças. Usaram até a gravidez da filha de 27 anos de Uip - ele tem outras duas - para ameaçá-lo. ''''Ela era a mais aterrorizada. Diziam: tira tua menina do Guarujá que vamos matá-la. Aterrorizaram até o caseiro.'''' No dia seguinte à confirmação de que Uip seria avô, criminosos enviaram outro e-mail. ''''Sua filha está grávida.''''''''O objetivo deles era mostrar que conheciam detalhes sobre a vida da vítima'''', afirmou o delegado Waldomiro Pompiani Milanesi, do Deic. Em novembro, bandidos conseguiram acesso a dados bancários do médico e fizeram compras pela internet em nome dele. ''''Pagaram com boletos bancários, validados pelo gerente da clínica de Uip, que não sabia que o patrão não havia feito as compras.''''Os criminosos mandaram que TVs de LCD, microondas e outros eletroeletrônicos fossem entregues em Bragança Paulista, onde mora a mãe de Andrea. Pouco depois, fizeram-se passar por Uip e induziram a gerente do banco a transferir R$ 16 mil para a conta de Andrea. Só uma parcela foi retirada pelos golpistas, pois o dinheiro foi estornado.Uip ainda recebeu mensagem com a foto de uma mulher ensangüentada - na verdade, uma encenação grosseira, feita com uma substância vermelha. Nas costas dela, estava escrito o nome do médico. Os criminosos diziam que haviam matado a mulher e jogariam o corpo diante da casa de Uip no Guarujá para que ele se tornasse suspeito. ''''O que me assusta é que eles construíram um e-mail quase igual ao meu, a diferença era um ponto no endereço'''', disse Uip. ''''Se não desse o dinheiro, ameaçavam matar meu filhos, enviar fotos de supostos relacionamentos extraconjugais.''''Às 2 horas do dia 11, Rossi Júnior telefonou para o médico. Pediu R$ 100 mil. Orientado pela polícia, Uip ofereceu R$ 20 mil. Rossi Júnior recusou, mas, em novo telefonema, aceitou R$ 50 mil. Mandou que o dinheiro fosse entregue no Terminal do Tietê. Na quarta-feira, um policial foi entregar o dinheiro, fazendo-se passar pelo motorista do médico. Às 18 horas, Rossi Júnior apareceu. Ao pegar a bolsa, foi preso. A mulher foi detida na casa da mãe. Os dois confessaram o crime.

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