Casamento comunitário reúne mais de 1,4 mil casais em SP

Nesta semana, o sábado cedeu lugar ao domingo na capital paulista como o dia em que casais das mais diversas partes da cidade e da Grande São Paulo dizem seu sim um ao outro. Emoção e felicidade davam o tom ao ginásio do Ibirapuera, nesta manhã, onde 1.434 casais participaram do casamento comunitário, promovido pelo governo do Estado.De acordo com o secretário da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado, Alexandre de Morais, a finalidade do evento é promover a regularização jurídica de casais que não tiveram a oportunidade de oficializar sua união, em muitos casos, estável. "Oferecer esta oportunidade é função social do Estado e direito, pela lei, destes cidadãos", disse Morais.Pelo novo Código Civil, que entrou em vigor em janeiro de 2003, o casamento civil é gratuito para a população de baixa renda, apesar de muitas pessoas não saberem disso. Neste evento, foram investidos R$ 83,4 mil, dos quais R$ 40 mil pela Secretaria de Justiça e da Defesa da Cidadania; R$ 10 mil pelo Sindicato dos Notários e Registradores do Estado de São Paulo; R$ 15 mil pelo Banco Nossa Caixa; R$ 10 mil pela Associação dos Notários e Registradores; R$ 2,4 mil pela Associação Comercial do Estado de São Paulo; e R$ 6 mil pelo Instituto de Estudos e Protestos do Estado de São Paulo.Os casais, por sua vez, não precisaram arcar com nenhuma despesa. Casar no civil custa atualmente R$ 222,00, sendo que o casamento fora do cartório pula para a casa dos R$ 630,00.Foi o custo alto, por sinal, que retardou os planos do casal de surdos-mudos Tatiane Fernanda Rosa, de 22 anos, e Luiz Carlos Rosa, de 29 anos. Há seis juntos - eles se conheceram na escola de surdos-mudos - o casal não havia oficializado a união por falta de recursos financeiros. De vestido de noiva, arranjo no cabelo, e um sorriso aberto no rosto, Tatiane conta, por meio de uma intérprete, que estava realizando o grande sonho da sua vida. "Não dá para expressar a emoção deste momento", disse a noiva. "Usar um vestido como este e dizer sim para o amor da minha vida sempre foi o meu maior sonho´´. O casal, que já tem uma filha de três anos, prometiam comemorar com um almoço em família em Pirituba, onde moram.De roupa branca também estava a noiva Ebe Braga, de 67 anos, ao lado de Jacó de Souza (70), com quem vive há 31 anos. Ebe elogiou a iniciativa do governo do Estado. "Um evento como este facilita regularizar a situação de muitos casais, que não têm condições financeiras para casar", comentou Ebe. Ela e seu noivo iriam comemorar o "sim" em uma festa que a Câmara de Ferraz de Vasconcelos oferece aos 48 casais de lá que participaram da cerimônia.EstruturaPara a celebração, não faltaram tapete vermelho, bolo, bem-casado, o coral do maestro Bacarelli e presentes. A Casas Bahia doou 200 jogos de faqueiros, a Cervejaria Krill 1.600 latas de refrigerante e 800 garrafas de água, enquanto a Schincariol forneceu 100 litros de refrigerantes, e a Casas Pernambucanas um jogo de lençol para cada casal. Além disso, foram sorteadas cinco viagens de lua-de-mel para Porto Seguro, na Bahia.Convidado de honraO primeiro casamento da manhã foi de Maria José e Sérgio, que tiveram de se adiantar e assinar os papéis antes do início da cerimônia. É que a noiva entrou em trabalho de parto. "Esta criança chegará ao mundo com os pais já casados", comemorou o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Ele com sua esposa Lu Alckmin foram os padrinhos de honra da celebração. "A família é a célula da sociedade e por isso hoje não é apenas os familiares destes noivos, mas sim todo o Estado de São Paulo que está feliz e alegre com estas bodas", disse o governador. "Já realizamos cinco casamentos comunitários, mas este é o maior".De acordo com a Rank Brasil, empresa responsável pela homologação de todos os recordes nacionais, o maior casamento realizado no País até agora foi o de Ribeirão Preto, no interior paulista, com 820 participantes. A expectativa é que o evento de hoje se firme como o maior casamento comunitário do mundo.

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