Casas em BH enfrentam desconfiança do público após tragédia de Santa Maria

Fiscalização feita em 2012 pelo Corpo de Bombeiros apontou que 40% dos locais estavam irregulares

Aline Reskalla, especial,

02 Fevereiro 2013 | 18h11

BELO HORIZONTE - Algumas casas noturnas tradicionais da cidade de Belo Horizonte estavam vazias nas madrugadas de quinta e sexta-feira. Outras chegaram a fechar as portas para reforma após a tragédia de Santa Maria, como a Jack Rock, localizada no bairro de zona Sul Funcionários. Ao lado da Savassi, o local é tradicional reduto de boates da capital mineira.

Na Josephine, uma das preferidas do público GLS que fica na Savassi, não havia nem 20 pessoas por volta de 0h30. Embora seja toda fechada, com três pisos, o local tem quatro saídas de emergência e portas frontais de vidro, que poderiam ser quebradas facilmente em caso de incêndio.

André Souza, gerente da casa, mostrou o laudo da última vistoria feita pelo Corpo de Bombeiros, com data de 7 de janeiro de 2013. "Estamos com todos os documentos em dia, a boate é muito segura e nossos clientes sabem disso". Segundo ele, o baixo movimento se devia ao horário. "Daqui a pouco vai estar lotada". Souza admitiu, no entanto, que o incêndio de domingo no Rio Grande do Sul pode afastar o público.

Belo Horizonte também sofreu com um grave incêndio, ocorrido em 2001, na boate Canecão Mineiro, com sete mortos e 300 feridos. O Canecão não tinha alvará para funcionar, mas estava lotado no dia da tragédia.

Na Bwana, localizada a dois quarteirões da Josephine, havia 12 pessoas por volta de 1h30. O gerente, que se identificou apenas como Carlos Alberto, disse que o movimento "bomba" apenas depois das 3h da madrugada.

"Não acredito que as pessoas deixarão de frequentar as boates por causa do incêndio de Santa Maria. Nós estamos com os laudos em dia, mas não sei te dizer quando a última vistoria foi feita", disse ele. No entanto, um dos funcionários que pediu anonimato confirmou que a casa costuma ficar mais cheia àquele horário, nas quintas-feiras. A saída de emergência fica ao lado da entrada, e o estabelecimento é todo fechado.

Na quarta-feira, os donos do Jack Rock Bar, que fica na avenida do Contorno, no bairro Funcionários, divulgaram uma nota informando que decidiram antecipar as reformas previstas para a semana do Carnaval. A casa noturna ficará fechada durante quatro meses. "Aproveitamos a oportunidade para lamentar o trágico incidente ocorrido em Santa Maria, bem como para reiterar nosso constante compromisso em oferecer os mais altos níveis de segurança e conforto para nossos clientes, colaboradores e funcionários", ressalta o comunicado.

O estudante de direito Gabriel Pedra, 23 anos, disse que ele e os amigos ficaram mais tranquilos para ir ao clube Chalezinho depois que a casa foi apontada como uma das três mais seguras de Belo Horizonte. O local fica na Vila da Serra, em Nova Lima, e estava cheio na noite de quinta. Tem ambientes fechados e abertos.

"Os funcionários todos ontem estavam com broches informando estarem preparados para qualquer emergência", contou o estudante. O assunto da noite, segundo ele, foi a tragédia na boate Kiss. "Ficamos discutindo o que fazer se pegasse fogo, enfim, reparando as saídas, coisas que nunca tínhamos observado antes", disse.

Uma fiscalização feita em 2012 pelo Corpo de Bombeiros apontou que 40% das casas noturnas de Belo Horizonte estavam irregulares. Na noite de quinta-feira, teve início na cidade uma ação fiscal conjunta entre a Prefeitura e o Corpo de Bombeiros Militar. De acordo com o secretário municipal de Serviços Urbanos, Pier Senesi, a fiscalização vai abranger todas os 60 estabelecimentos cadastrados na PBH. Segundo ele, a ação não será agendada com os locais. A população pode usar o telefone 156 para pedir que uma casa seja fiscalizada.

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