Casas próximas ao Metrô de Pinheiros podem ser liberadas

Os moradores que tiveram de sair de suas casas por conta do acidente na futura Estação Pinheiros do Metrô vão poder voltar às residências. De acordo com o laudo divulgado na quinta-feira, 22, pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) sobre a estabilidade do terreno nas imediações da futura estação, não há risco de novos deslizamentos no local. A conclusão era uma exigência da Subprefeitura de Pinheiros e servirá como base para a liberação, ainda sem data para ocorrer.Os imóveis foram interditados no dia 12 de janeiro, quando o desabamento das obras da Linha 4-Amarela engoliu parte da Rua Capri, matando sete pessoas. Entretanto, alguns moradores não querem voltar para suas casas, e os que querem, vão fazer por falta de outra opção, mas continuam com medo de novos problemas nos imóveis.Dos 67 imóveis vistoriados, 58 estão adequados para reocupação, cinco foram liberados com restrição (devem passar por obras de recuperação), três foram condenados e um não pôde ser inspecionado devido à obstrução por ruptura do teto.A análise do IPT sobre as intervenções do Consórcio Via Amarela - formado pelas empreiteiras Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez, responsáveis pela obra - na estabilização da cratera apontou ainda que ?os critérios adotados no dimensionamento das obras de estabilização, contenção e proteção superficial estão de acordo com as boas técnicas da engenharia geotécnica?.Laudos individuaisLogo após o acidente, o IPT começou a elaborar laudos individuais para cada um dos 69 imóveis - 67 casas e dois edifícios, que já estavam liberados - atingidos pelo desabamento na obra do Metrô. Os últimos seis foram entregues na quarta-feira da semana passada, dia 17. Entretanto, a Subprefeitura de Pinheiros disse que só autorizaria o retorno dos moradores depois que obtivesse, também do IPT, garantias de que o terreno na área do acidente não oferecia mais riscos.A Subprefeitura informou que irá confrontar os laudos sobre a estabilização do solo elaborados pelo IPT, Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-SP), Via Amarela e a própria Prefeitura. Segundo o subprefeito Nilton Nache, só serão liberados os imóveis que tiverem atestado 100% de segurança nos quatro documentos técnicos. Ainda não há prazo para conclusão dessa análise. Também não foi definido se haverá a necessidade de novas demolições.Os engenheiros do Departamento de Supervisão e Fiscalização da Subprefeitura de Pinheiros serão os responsáveis pela avaliação dos laudos. Há cerca de um mês, eles já haviam recebido um laudo da Maffei Engenharia, empresa contratada pelo Via Amarela, que atestava a estabilidade do solo no entorno da futura Estação Pinheiros. O documento já foi encaminhado à Secretaria de Transportes Metropolitanos, pasta à qual está subordinado o Metrô.O corretor de imóveis Antônio Manuel Dias Teixeira, de 53 anos, síndico do prédio 170 da Rua Gilberto Sabino, se recusa a voltar para casa. ?Prefiro que paguem a indenização o quanto antes para que eu possa comprar um outro apartamento.? Teixeira diz que, desde o acidente, sua a mulher vive à base de calmantes e passa por tratamento psicológico.Colaborou Humberto Maia Júnior.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.