Caseiro de FHC queria "bancar o xerife", diz assassino

O lavrador Reginaldo José de Borba, de 25 anos, autor dos tiros que mataram o caseiro do presidente Fernando Henrique Cardoso, Joaquim Antonio da Silva, de 57 anos, em Ibiúna, comentou com amigos, horas antes do crime, que Silva "estava querendo bancar o xerife". O comentário, revelado nesta segunda-feira, durante a reconstituiçãodo crime na chácara do presidente, foi feito durante um encontro, na noite do último dia 20, na casa de um amigo do criminoso, conhecido como Jair.Foi nesse local, no Bairro da Cachoeira, que Borba e o outro acusado do crime, Luiz Alberto de Araújo, de 19 anos, decidiram "dar um susto" no caseiro. Um mês antes, na companhia de um ladrão até agora identificado apenas comoSérgio, que também estava presente, eles tinham furtado a casa de um irmão da jornalista Silvia Popovic, vizinha à do presidente.Silva andou dizendo que iria denunciar o bando. Borba, que é sobrinho da ex-mulher do caseiro, não se conformava com a intenção de Silva de "pôr banca de polícia só porque é chegado do presidente". Seus comentários foram revelados por uma pessoa que estava na casa ao jardineiro Roberto Silva, morador vizinho.Durante a reconstituição do crime, Borba contou que foi à casa do caseiro na companhia de Araújo cortando caminho pelo jardim. Ele bateu na porta e chamou pelo morador, que a abriu. Araújo ficou do lado de fora, próximo da porta, dando cobertura. Borba disse que tentou conversar comSilva e este o teria xingado. Ele fez de conta que ia embora, mas voltou, já com a arma em punho. O caseiro atracou-se com ele e Borba fez o primeiro disparo. A bala atingiu a parte superior da barriga. Silva caiu e o lavrador fez umsegundo disparo, próximo da virilha. O caseiro morreu segurando parte da gola arrancada da blusa do assassino. A polícia localizou a arma usada no crime. O revólver calibre 38, de numeração raspada, estava na casa de um conhecido de Borba. A arma tinha duas cápsulas deflagradas e outras duas intactas e será submetida a exame de balística. Borba inocentou o comerciante Júlio César Farias Pulgar, de 42 anos, da acusação de lhe ter fornecido o revólver. Pulgarfoi colocado em liberdade, mas continuará sendo investigado como possível receptador de objetos furtados. O Gabinete de Segurança do presidente não permitiu que a imprensa acompanhasse a reconstituição. Os trabalhos tiveram a participação da Polícia Científica de Sorocaba. Em seguida, os dois acusados foram levados para a Cadeia Pública de São Roque. Borba e Araújo não registravam antecedentes criminais, mas eram investigados porparticipação em furtos de chácaras. O delegado de Ibiúna, João Francisco Ferreira Dias, disse que pretende enviar o inquérito à justiça no prazo máximo de dez dias.

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