Caseiro de Mansur confessa crime

Segundo delegado, Valdeci Montes e seu irmão admitiram participação na invasão em que copeiro foi morto

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

11 de dezembro de 2007 | 00h00

A polícia prendeu dois acusados do roubo à casa do empresário Ricardo Mansur, que terminou na morte do copeiro Elson Alves Nunes, de 46 anos. Entre os detidos está Valdeci Montes, de 49, caseiro do empresário. Ele e os irmãos Valmir, de 32 anos, também preso, e Valdevino, de 42, que está foragido, planejavam o crime fazia um mês. O copeiro foi morto na madrugada de sábado porque tentou impedir o crime, primeiramente atacando os bandidos e, depois, tentando pular o muro, para tocar a cerca eletrificada e disparar o alarme.Segundo o delegado José Vinciprova Sobrinho, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o caseiro, que estava de folga, abriu a porta da casa para os irmãos. Valdeci sabia que o patrão, para quem trabalhava havia quatro anos, não estava em casa - Mansur havia viajado na quinta-feira para o interior do Estado. O caseiro aguardaria na frente da casa, na Avenida Morumbi, até que os irmãos dominassem o copeiro e o porteiro da casa. Só então ele entraria para apontar onde estavam as coisas de valor que seriam roubadas.Os irmãos estavam desarmados. Vestiam meias de nylon na cabeça e só levavam uma corda para amarrar os funcionários da casa, pois não esperavam reação. Mas, quando entraram no quarto de Nunes, ele apanhou uma tesoura e atacou os ladrões. Na luta, uma cama foi quebrada. Os bandidos apanharam pedaços de pau e bateram na vítima, até que desmaiasse.Embaixo da cama, os assaltantes acharam uma espingarda. Com a arma, dominaram o porteiro, que foi amarrado e deixado no banheiro. Quando voltaram para apanhar o copeiro, acharam apenas um rastro de sangue que ia até uma escada ao lado do muro da casa. Ali, os bandidos viram Nunes se aproximando da cerca eletrificada. Se a tocasse, o alarme dispararia. Foi quando atiraram. Acertaram-lhe a perna. Nunes caiu da escada e morreu, por traumatismo craniano. Em menos de 24 horas, duas pistas levaram os investigadores do DHPP aos autores do delito. A primeira foram o sangue na casa e a destruição no quarto, indicação de que os ladrões poderiam estar feridos. A segunda, o Toyota e a Blazer levados pelos assaltantes. Os carros foram encontrados na Casa Verde, na zona norte, ainda no sábado. Uma testemunha disse que os bandidos, depois de abandonarem o veículo, entraram em um Gol vermelho.Na noite de sábado, o caseiro faltou ao serviço. Um equipe de policiais foi à casa de Valdeci enquanto outra verificava os hospitais da região, em busca dos ladrões feridos. Enquanto conversavam com o caseiro, os policiais descobriram que seus dois irmãos haviam sido tratados de ferimentos causados por arma branca no Hospital do Mandaqui. Souberam ainda que a mulher de um deles era dona de um Gol vermelho. Foi quando resolveram interrogar Valdeci, que, segundo o delegado, confessou a participação no crime.No domingo, foi a vez de Valmir se apresentar ao DHPP e confessar. Ele estava em liberdade condicional, depois de cumprir 7 anos de uma condenação a 15 anos por estupro. A polícia procura Valdevino e espera os laudos da perícia para confirmar se o sangue nos carros e na casa era dos irmãos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.