Caso Amarildo: para MP, quatro PMs tiveram participação ativa na tortura

Segundo promotora, as agressões ocorreram atrás do contêiner da UPP, no alto da Favela da Rocinha

Adriano Barcelos, O Estado de S. Paulo

22 Outubro 2013 | 12h46

RIO - Ao fazer um aditamento à denúncia e acrescentar os nomes de 15 policiais militares supostamente envolvidos na morte do pedreiro Amarildo de Souza, de 43 anos, o Ministério Público do Rio de Janeiro detalhou as conclusões da investigação sobre o caso. Até o momento, segundo a promotora Carmen Eliza de Carvalho, foi possível identificar quatro PMs que tiveram participação ativa nas torturas que mataram o pedreiro, desaparecido desde 14 de julho após ser levado por PMs até a sede da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha.

A partir do relato de cinco PMs que ficaram dentro de um contêiner e colaboraram com a investigação prestando depoimento, foi possível ouvir de dentro da estrutura de metal a sessão de tortura e reconhecer vozes que indicam a participação ativa do soldado Anderson Maia, do tenente Luiz Medeiros, do soldado Douglas Vital e do sargento Reinaldo Gonçalves.

Segundo a promotora Carmen Eliza de Carvalho, a sessão de tortura ocorreu atrás do contêiner da UPP, no alto da favela da Rocinha. O pedreiro teria sido submetido a afogamento, com a cabeça colocada dentro de um balde d'água, asfixia com saco plástico sobre a cabeça e sobre a boca, e choques elétricos com pistola taser. Ainda conforme Carmen, o corpo teria sido retirado pelo telhado e enrolado pela capa da motocicleta de um dos PMs, atada com fita crepe. O MP não conseguiu avançar nas apurações sobre o destino dado ao cadáver de Amarildo.

Denúncias. Do total de 25 PMs denunciados até agora, 8 foram enquadrados por omissão - teriam condições de parar a tortura e nada fizeram para cessá-la. Houve ainda 17 denunciados por ocultação de cadáver, 4 por fraude processual e 13 por formação de quadrilha.

Carmen afirma que o major Edson dos Santos, comandante da UPP na época do crime, cometeu fraude processual por duas vezes: uma, quando teria forjado um telefonema atribuído ao traficante Catatau em que ele diz ter sido responsável pela morte de Amarildo e outra por ter supostamente jogado óleo sobre o piso da área onde a tortura ocorreu, para despistar a perícia em busca de gotas de sangue no local.

 No caso do telefonema do traficante, os peritos descobriram que a voz que seria de Catatau era na verdade de outro PM, que ligara para um número que o major Edson sabia estar grampeado para imputar aos traficantes a morte do pedreiro.

Segundo a promotora, o major liderava a suposta quadrilha e estava na sede da UPP durante todo o tempo que Amarildo esteve sendo torturado.

O corregedor da Polícia Militar, Cezar Augusto Tanner, que participou da entrevista coletiva ao lado dos promotores do Ministério Público, afirmou que "os PMs envolvidos vão parar de trabalhar a partir de agora" e elogiou o trabalho dos promotores.

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