Caso Amarildo: PMs com prisão decretada se apresentam

Dois sargentos e um soldado trabalhavam na UPP da Rocinha e teriam participado da tortura e da morte do pedreiro

24 Outubro 2013 | 00h13

Os três policiais militares do Rio que tiveram a prisão preventiva decretada anteontem sob acusação de envolvimento no sumiço do pedreiro Amarildo de Souza se entregaram ontem à tarde. Os sargentos Lourival Moreira da Silva, de 40 anos, e Reinaldo Gonçalves dos Santos, além do soldado Wagner Soares do Nascimento, de 31, se apresentaram no 23.º Batalhão da PM.

Eles foram encaminhados para exames no Hospital Geral da Polícia Militar, por volta das 19 horas, e depois seriam levados à Unidade Prisional da Polícia Militar, em Benfica, na zona norte, onde ficarão detidos. Outros dez PMs acusados pelo crime estão presos desde 4 de outubro.

Todos atuavam na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, na zona sul, e são acusados de torturar até a morte o pedreiro, de 43 anos, na noite de 14 de junho. Amarildo desapareceu após ter sido conduzido à UPP para "averiguação".

Dos 13 presos, só os dois oficiais que tinham cargos de chefia na UPP, o major Edson Santos e o tenente Luiz Felipe de Medeiros, não estão no presídio exclusivo de PMs. Eles foram transferidos no dia 18 para a penitenciária de Bangu 8, na zona oeste, a pedido do Ministério Público, porque, segundo a instituição, estavam se impondo sobre os ex-subordinados para evitar depoimentos que os incriminassem. Ontem, a 8.ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça negou habeas corpus pedido pelo major e pelo tenente e manteve os policiais presos.

Ao todo, 29 PMs foram investigados. Desses, quatro foram considerados inocentes e 25 são acusados pela tortura seguida de morte de Amarildo. Treze estão presos e os outros 12 policiais não tiveram a prisão pedida pelo Ministério Público porque, na avaliação do órgão, tiveram participação menos decisiva no crime e a liberdade deles não interfere no trâmite do processo. Eles foram afastados da rua e cumprem funções administrativas.

Além do crime de tortura, pelo qual todos são acusados, 17 policiais foram denunciados por ocultação de cadáver, 4 por fraude processual e 13 por formação de quadrilha. A juíza Daniella Alvarez Prado, da 35ª Vara Criminal do Rio, além de decretar a prisão dos três policiais, anteontem, também aceitou a denúncia contra os 25 PMs.

"Os delitos imputados (...) afrontam toda a sociedade, na medida em que as UPPs (...) foram criadas com o fito de apaziguarem as comunidades dominadas pelas facções criminosas e coibirem o tráfico ilícito de entorpecentes. Os acusados (...) supostamente tornaram-se tão criminosos quanto os criminosos que perseguiam", disse a juíza a decisão.

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