Caso Bandarra racha promotores no DF

Caso Bandarra racha promotores no DF

Acirra 'guerra' entre os integrantes do Ministério Público local após a intervenção do Conselho Nacional na investigação contra o procurador-geral

Leandro Colon e Felipe Recondo, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

26 de março de 2010 | 00h00

A intervenção do Conselho Nacional do Ministério Público na investigação contra o procurador-geral de Justiça do Distrito Federal, Leonardo Bandarra, suspeito de ligação com o "mensalão do DEM", acirrou de vez a guerra entre os promotores de Brasília.

O Estado teve acesso às mensagens eletrônicas trocadas entre eles nos últimos dois dias na rede interna do Ministério Público do DF, com acusações, ironias e provocações.

No centro da discussão, a lentidão da Corregedoria do órgão local em investigar as denúncias de Durval Barbosa - delator do esquema de corrupção no DF. Bandarra teria recebido R$ 1,6 milhão de José Roberto Arruda para não incomodar ações do seu governo, entre elas, a renovação sem licitação de milionários contratos de limpeza urbana.

Foi essa demora que motivou a interferência do Conselho Nacional, revelada anteontem pelo Estado. "A transparência é corolário do princípio da publicidade e ofende a lógica da corrupção e do poder, que é a lógica da dissimulação", afirmou o promotor Jairo Bisol em mensagem enviada às 21h33 de anteontem.

Às 11h27 de ontem, seu colega Petrônio Calmon rebateu: "Se algum promotor de Justiça cometeu algum crime, nosso dever é ter serenidade. Não é hora de jogar lama no MPDFT ou de jogar o MPDFT na lama", ressaltou, em referência ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Para ele, as críticas internas são um "movimento fatricida (sic) e autofágico".

Ainda teve a mensagem de Getúlio Alves Lima, há 16 anos no cargo. "Não posso calar diante desse e-mail. Custo crer que alguém se permita fazer-se porta-voz da classe, sem ter representatividade e legitimidade para isso".

Lima citou um processo interno que sofreu na Corregedoria. Disse ter recebido o conselho para ter uma "conversinha informal" com a corregedora Lenir Azevedo. E insinuou que Bandarra poderia fazer o mesmo. "Até questionei se o procurador-geral teria também essa "conversinha informal" por ter várias citações sobre ele, seja aqui na intranet, seja na imprensa, inclusive por crimes infamantes, o que, nem de longe foi o meu caso."

Pecado. A corregedora foi defendida por Petrônio Calmon em outro e-mail. "Duvidar da senhora é um grande pecado e beira à irresponsabilidade criminosa." Às 13h29 de ontem, o promotor Valmir Soares Santos saiu em defesa do chefe do Ministério Público do DF. "Teria o Bandarra impedido alguma investigação?", indagou. "Tenho visto somente "disse me disse" e nada de fatos."

Na quarta-feira, o Estado revelou a iniciativa do Conselho Nacional do Ministério Público de retirar dos promotores de Brasília a investigação contra o próprio chefe sob alegação de que o caso está lento. Um requerimento foi apresentado pelo conselheiro Bruno Dantas e uma liminar, concedida a duas promotoras do DF para terem acesso aos suspeitos contratos de lixo.

A medida revogou decisão do Conselho Superior do Ministério Público local, presidido por Bandarra, que proibiu o repasse dos documentos. Em entrevista publicada ontem no Estado, Bandarra negou as acusações de Durval Barbosa, mas admitiu a reunião com Arruda na casa da promotora Deborah Guerner nas eleições de 2006, local do acerto financeiro entre eles.

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