Caso Bangu 1 detona crise com governo do Rio

A operação do Ministério Público em Bangu 1, o afastamento preventivo do diretor do presídio, Durval Pereira de Melo, e dos servidores da unidade, abriram uma crise com o governo estadual. Indignado, o secretário de Justiça do Estado, Paulo Saboya, disse não ter sido informado sobre as investigações. Ele tentou acompanhar a vistoria no presídio, mas sua entrada foi impedida pelo promotor Jorge Magno Reis Vidal. Saboya disse que a Procuradoria Geral do Estado entrou com recurso contra a liminar da juíza Sônia Maria Garcia Gomes Pinto, da 1ª Vara Criminal de Bangu, que autorizou a vistoria e determinou os afastamentos. "Nunca aconteceu isso. É algo inusitado. Por que avisaram ao Batalhão de Operações Especiais (Bope)?", questionou o secretário. Saboya afirmou que ficou sabendo da varredura pelo diretor do Departamento de Sistema Penitenciário (Desipe), na noite de segunda-feira. "Vamos investigar. Não estaremos comentendo nenhuma atitude arbitrária. Mas não toleraremos abusos", reagiu a governadora Benedita da Silva. "Isso não é normal. Não me parece correto", opinou o presidente do Tribunal de Justiça (TJ), Marcus Faver.De acordo com Saboya, o afastamento da direção de Bangu 1 e dos servidores não pode ser executada imediatamente pela necessidade de fazer as substituições dos servidores. "A quem vou entregar Bangú? Ao Ministério Público?". Durante todo o dia, o secretário demonstrou sua indignação. Falou por telefone com a governadora; à tarde, esteve no Ministério Público estadual e se queixou ao procurador-geral de Justiça em exercício, Hugo Jerker, e também procurou o presidente do Tribunal de Justiça (TJ). No MP, o secretário foi orientado por Jerker a fazer sua reclamação por escrito.Saboya classificou a atitude do MP de inversão de valores e considerou que os procuradores extrapolaram em suas funções. "Não me oponho a que se faça vistorias. O que não pode é impedir o secretário de Justiça entrar numa unidade prisional", disse. Ele assegurou que, quando sair o resultado da perícia no material apreendido, tomará as medidas que julgar conveniente. "Agora, ninguém vai me colocar goela abaixo o que devo fazer", enfatizou. Saboya contou que foi avisado da operação pelo diretor-geral do Desipe, Edson de Oliveira Rocha Júnior. "Isso é muito grave. Não podemos combater a ilegalidade com outra ilegalidade", criticou. Paulo Saboya chegou a falar sobre "interesses políticos" por trás da operação do MP. "Acontecer uma coisa dessas em ano eleitoral, pode ser que haja outros interesses por trás disso."

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