Caso El Negro tem 4 indiciados e 2 suspeitos

O quinto caso de corrupção em que finalmente a Corregedoria da Polícia Civil chegou a uma conclusão foi o do traficante Ramón Manuel Yepes Penagos, El Negro. Quatro investigadores que trabalhavam no Denarc foram indiciados e outros dois policiais - entre eles um delegado - ainda estão sob investigação. Ele, que havia resgatado a fortuna de 70 milhões de euros em dinheiro que seu chefe, Juan Carlos Abadía, mantinha no Brasil, acabou localizado em 2008 por policiais do Denarc em São Paulo. Os investigadores exigiram 400 mil para que o prendessem com identidade falsa. Ele seria autuado como se fosse mineiro de Borda da Mata por causa da venda de uma pequena quantidade de ecstasy. Cumpriria uma pena de 5 anos e seria posto em liberdade sem que ninguém soubesse que estava aqui, no Brasil, o homem acusado de enviar toneladas de cocaína para a Espanha e procurado pela Interpol. A farsa só terminou em 2009, quando policiais do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) descobriram que o mineiro Manoel de Oliveira Ortiz era, na verdade, El Negro. Em longo depoimento prestado na penitenciária de Avaré aos promotores do Grupo de Atuação Especial de Controle da Externo da Atividade Policial (Gecep), o colombiano deu detalhes de como se transformou em uma mina de ouro para os policiais. O presídio onde estava detido convertera-se em uma espécie de cativeiro para El Negro, que tinha de pagar propina para continuar preso sob identidade falsa. Cansado disso, El Negro mandou a mulher para o Uruguai. Ela teria levado para fora do Brasil o que restaria da suposta fortuna do traficante a fim de colocá-la a salvo da voracidade dos policiais do Denarc. O próprio El Negro chegou a brincar com o fato após ser descoberto. Ao depor na Justiça, disse, sorrindo, ao juiz que lhe perguntou onde havia nascido: "Yo soy mineiro."

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

10 Julho 2009 | 00h00

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