Caso Estácio: oito meses depois, um laudo sem conclusão

Oito meses depois de feita a reconstituição do atentado no campus da Universidade Estácio de Sá, em que a estudante Luciana de Novaes foi ferida, o laudo da simulação do crime, entregue hoje, nada concluiu. Os peritos não conseguiram precisar de onde partiu o tiro ou a que distância foi feito o disparo que deixou Luciana tetraplégica. ?A reconstituição do caso Estácio não traz luz nova ao caso. Eu tenho falado isso desde que a reprodução foi feita?, afirmou o diretor do Instituto de Criminalística Carlos Éboli, Marcos Luiz Gonçalves.Luciana foi baleada em 5 de maio do ano passado. Os peritos do ICCE só puderam estimar a distância máxima de onde o tiro partiu ? 250 metros. Isso porque a polícia descobriu recentemente que a arma usada no crime era uma pistola automática. ?Até então só sabíamos que o calibre era .40. O projétil poderia ter partido de uma pistola, de uma carabina ou de metralhadora?, disse Gonçalves. Mesmo o esclarecimento do tipo da arma usada no crime não serviu muito para o trabalho dos peritos. Eles precisavam deoutras informações sobre o cartucho usado ? qual fábrica o produziu ou se ele era novo ou foi recarregado. ?É como comparar o desempenho de um carro zero e de um que saiu da oficina. Não tínhamos nenhum parâmetro para traçar a trajetória da bala?,afirmou Gonçalves. ?Não temos condições de dizer se o atirador se colocou a 30, 40, 190 metros. Essa distância de 250 metrosé uma distância possível que provocaria o estrago do projétil como provocou e deformou a mandíbula da menina.?O diretor do ICCE disse que a falta de colaboração das testemunhas foi a principal razão para o fracasso da reconstituição. ?Ninguém falou nada. Todos ainda estavam muito assustados com a repercussão do caso?.Para o secretário de Segurança Pública, Anthony Garotinho, o laudo da perícia não é a peça mais relevante do caso. "O que éimportante é chegar ao autor e à arma do crime. E o Elton (Elton dos Santos, o Batata) é o autor. O que não havia era a arma,que já foi encontrada." Apesar de apontar Batata, traficante do morro do Turano, como o atirador, Garotinho foi irônico e disse que o criminoso não confessou o crime. "Ele só nega, mas o Beira-Mar (traficante Luiz Fernando da Costa) também nega tudo."Batata foi preso em julho de 2003. Na época, a polícia descobriu que ele tinha matado um homem com a mesma arma queatingiu Luciana. A pistola estava desaparecida e foi apreendida em dezembro com a prisão de três assaltantes de uma farmácia.Repetindo o que havia dito na ocasião do crime, o secretário afirmou que o tiro que feriu a estudante deve ter partido do campus.?Embora o laudo não seja conclusivo, a hipótese de o tiro ter partido do morro é pouco provável, pela trajetória da bala e pelo tipo do calibre e impacto que provocou.? Segundo ele, no dia do crime, Batata estava na universidade. ?Havia um comércio de drogas dentro da universidade e o Batata, junto com outros traficantes, estava envolvido neste negócio e começou a haver uma disputa com os alunos. Houve uma discussão e ele disparou, atingindo a menina?.

Agencia Estado,

21 de janeiro de 2004 | 18h14

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