Caso seja derrotado, Alckmin descarta acordo com Lula

O candidato à Presidência da República pelo PSDB Geraldo Alckmin descartou a possibilidade de qualquer tipo de acordo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, caso seja derrotado no segundo turno. Durante a gravação do programa Roda Viva da TV Cultura, que será exibido hoje às 22h40, o candidato recebeu ainda uma enxurrada de perguntas sobre corte de gastos e negou novamente que vá privatizar empresas públicas. O candidato também minimizou os resultados das últimas pesquisas eleitorais.O candidato respondeu que pretende reduzir os gastos por meio de corte de cargos públicos, de ministérios e de ações contra a corrupção. "Em São Paulo, economizei R$ 4 bilhões só em compras eletrônicas".Em relação à proposta de redução do déficit nominal do setor público a zero - que implica corte de despesas entre R$ 60 bilhões e R$ 90 bilhões, valor correspondente a 4,4% do PIB -, Alckmin admitiu que ele "provavelmente" não conseguirá atingi-la em quatro anos. "Vamos avançar bastante, mas será uma tarefa a ser completada pelo próximo governo."Alckmin descartou qualquer alteração nas regras da Previdência Social que impliquem na perda de direitos adquiridos, como redução da idade mínima. "O Brasil não vai resolver o problema da Previdência Social com mais aperto. O País precisa crescer e diminuir a informalidade". Ele também rejeitou a idéia de cortes em programas sociais.PrivatizaçãoO tucano voltou a negar que vá privatizar a Petrobras e o Banco do Brasil, como vem afirmando a campanha de Lula. "É tudo mentira. Não posso imaginar que alguém que é o presidente da república não tenha o menor compromisso com a verdade", afirmou.O candidato disse ser favorável às Parcerias Público Privadas como forma de atrair os investimentos privados e novamente criticou a política do PT na área de infra-estrutura, especialmente, energia. "O governo esvaziou as agências reguladoras e, com isso, afastou os investimentos", disse.Cenário políticoO tucano afirmou que Lula não pode esperar que a oposição "compactue com a impunidade" e avaliou que, no futuro, a disputa entre o PT e o PSDB deve ser acirrada. Alckmin disse também que acredita que o Brasil tende a ser um País com somente dois partidos. "Semelhante ao que acontece nos Estados Unidos".Ele desqualificou as pesquisas de opinião pública que apontam vantagem média de 20 pontos para seu opositor e contou que os levantamentos de seu partido apontam somente oito pontos de diferença entre ele e Lula. "A virada é sempre na última semana", comentou.Em entrevista ao final da gravação do programa, Alckmin afirmou que, se eleito, vai unir o País e será capaz de conquistar maioria no Congresso para governar, sem a necessidade de se valer do mensalão para comprar votos. Nem PSDB, nem PT conseguiram maioria nas eleições deste ano para deputados e senadores, portanto, os dois dependerão de acordos com outros partidos, principalmente com o PMDB.

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