Casos de dengue começam a recuar no Rio

A epidemia de dengue dá sinais de queda no Estado do Rio. A Superintendência de Saúde Pública estima que, nos últimos 15 dias, o número de atendimentos de vítimas da doença nos nove hospitais estaduais da Região Metropolitana caiu 30%. Houve ainda redução de 40% no total de amostras de sangue suspeitas que chegam ao Laboratório Noel Nutels para serem analisadas. "Não tenho dúvida nenhuma de que os casos da doença estão diminuindo. Estamos caminhando de uma epidemia para uma situação endêmica (manutenção de registros, mas sem grandes picos de casos da doença)", analisa Oscar Berro, superintendente de Saúde Pública.Hoje a Secretaria Municipal de Saúde confirmou mais uma morte por dengue: uma mulher de 54 anos que morava na Vila da Penha, zona norte do Rio. Ela morreu no último dia 15 e é a segunda vítima fatal da doença ocorrida este mês. Ontem a secretaria confirmou a morte de outra moradora da zona norte, ocorrida no dia 14. Agora, já são 29 vítimas fatais na cidade do Rio, elevando para 40 o total do Estado. Na cidade, o novo levantamento já contabiliza 49.149 doentes, sendo que 435 tiveram a forma mais grave da doença. No Estado, o último balanço foi divulgado na semana passada e registrava 89 mil casos, mas o número real já de estar chegando perto dos 95 mil notificações. Segundo Oscar Berro, a queda da epidemia pode ser explicada por dois fatores: a falta de chuvas em março (não há chuvas no Rio desde o dia 25 de fevereiro) e a queda do número de pessoas ainda suscetíveis ao vírus tipo 3. "Sem chuvas e com uma temperatura muito alta, a população do mosquito não consegue continuar se reproduzindo como antes e passamos a ter casos isolados da doença."Ele explica que, mesmo se começar a chover, a epidemia não deve voltar a crescer porque grande parte da população já está imune ao vírus, pois já contraiu a doença. "A tendência agora é que as epidemias comecem ocorrer em outros Estados, que ainda têm quase toda a população suscetível ao novo tipo do vírus da dengue."A epidemia deste ano está sendo causada pelo tipo 3. O Rio foi o primeiro Estado onde esse tipo começou a circular - ele entrou no Estado no fim de 2000. A ele é creditada a responsabilidade pela epidemia porque, por ser uma nova forma do vírus (ao contrário dos outros dois tipos, 1 e 2, que já circulam no Rio há anos e contra os quais grande parte da população já desenvolveu imunidade), tem o potencial de causar a doença em todas as pessoas que nunca tiveram contato com ele.

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