Casos de seqüestros aumentam 633% em SP

Nunca ocorreram tantos seqüestros em São Paulo e nunca a polícia prendeu tantos seqüestradores. No primeiro trimestre deste ano houve aumento de 168% desse tipo de crime em relação ao mesmo período de 2001 e de 633% quando comparado a 2000, ano em que começou a onda de seqüestros no Estado. Só no primeiro trimestre foram presos 176 seqüestradores - desde de janeiro de 2001, esse número chega a mais de 450.De acordo com um mapeamento efetuado pelo Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), 80% dos casos na cidade de São Paulo ocorreram nas zonas sul e centro.A polícia também identificou o crescimento do número de mulheres envolvidas nesses crime: elas somam de 10% a 15% dos presos neste ano. Há desde advogadas envolvidas com as quadrilhas até mulheres contratadas para cozinhar para vítimas nos cativeiros. Um exemplo disso foi um cativeiro estourado pela polícia no domingo no qual uma mulher e um homem tomavam conta de dois empresários seqüestrados. Eles recebiam R$ 1.500,00 por vítima.Atualmente, existem dez seqüestros em andamento no Estado. Seis deles são na capital, dois na Grande São Paulo e dois em duas cidades do interior. Ao todo, 12 pessoas são mantidas em cativeiro.ExplosivoOntem à noite, a Divisão Anti-Seqüestro (DAS) do Deic prendeu um casal com quatro bananas de explosivos, semelhante a nitrato de amônia. Havia ainda pavios, malotes bancários e munição para fuzil calibre 7 milímetros com um casal na Rua Maranei, em Campo Grande, na zona sul de SP.Policiais investigavam uma pista sobre o seqüestro de duas irmãs, em outubro do ano passado, quando receberam a informação de que um suspeito poderia estar na casa. Com mandado judicial, os homens revistaram a residência e acharam o explosivo em um dos quartos.De acordo com o delegado Marcos Flório Manarini, da 1ª Delegacia da DAS, Djalma Gomes disse que o explosivo não era seu, mas do homem para quem alugara o quarto um mês antes.Segundo a polícia, Gomes havia fugido da Penitenciária do Estado, no Carandiru, no ano passado usando um túnel. Ele cumpria pena de 17 anos por homicídio. A mulher com quem estava, Eliz Regina Rodrigues, de 25 anos, também foi presa. Ambos foram autuados sob a acusação de porte de explosivo.Gomes também foi autuado por resistência à prisão e por uso de documento falso. O material apreendido foi examinado hoje pela equipe antibombas do Deic, antes de ser enviado ao Instituto de Criminalística (IC). O laudo sobre o explosivo só deve ficar pronto em 30 dias.

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