Catacumbas espalhadas por SP servem de roteiro turístico

Tour inclui igrejas e prédios históricos e ocorre amanhã - com repeteco no sábado seguinte

Edison Veiga, O Estadao de S.Paulo

31 Julho 2009 | 00h00

"Cantinhos curiosos de São Paulo" são a predileção do arquiteto Marcio Mazza. E é por isso que amanhã ele promove - com repeteco no próximo sábado, se houver interessados -, por meio de seu site Arq!Bacana, um inusitado roteiro turístico pelos "espaços da morte" da capital paulista. "Não precisamos fazer os passeios convencionais", argumenta ele, com a autoridade de quem organizou, nos últimos dois anos, 15 tours - dos quais participaram um total que beira 2 mil pessoas. O roteiro será guiado pelo também arquiteto Renato Cymbalista, que estuda a relação, nos espaços arquitetônicos, entre vivos e mortos há 15 anos - o tema esteve presente em seu mestrado e seu doutorado, ambos pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), e agora pauta seu pós-doutorado, em andamento pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). "Quando falamos em morte, sempre imaginamos os cemitérios. A ideia desse roteiro é mostrar como os corpos das pessoas mortas também estão em outros locais da cidade", adianta Cymbalista, autor de um dos capítulos do livro Dez Roteiros Históricos a Pé em São Paulo (Editora Narrativa Um, 240 págs., R$ 35), cujo itinerário inspirou o programa de amanhã. Os participantes sairão do Pátio do Colégio - onde verão as relíquias de Padre José de Anchieta (1534-1597). Passarão pela Igreja de Santa Cruz dos Enforcados, na Liberdade, e conhecerão o antigo cemitério do mesmo bairro. Na Rua do Carmo, está prevista uma visita à Igreja da Boa Morte - fundada por uma irmandade que se dedicava, até meados do século 19, a "zelar pela paz dos irmãos mortos". O grupo também fará, entre outras, uma parada na cripta da Catedral da Sé. "Ali estão sepultados os bispos e arcebispos de São Paulo, além de personalidades históricas como o cacique Tibiriçá", conta Cymbalista. OUTROS PASSEIOS O sucesso da empreitada é tanto que não há mais vagas para o passeio de amanhã - as 40 foram preenchidas rapidamente. Mas a organização está montando uma lista de espera (informações pelo telefone 3078-7658) e irá repetir o roteiro já no sábado que vem. Mazza tem no currículo excursões pelo Rio Tietê, visitas a obras de Júlio Guerra (1912- 2001) - o autor da polêmica e criticada estátua de Borba Gato, em Santo Amaro - e a endereços curiosos como o Farol do Jaguaré, construído em 1942, no bairro homônimo, para servir de guia a quem navegasse pelo Rio Pinheiros. "São roteiros voltados para quem gosta de São Paulo", comenta. "Geralmente aparecem arquitetos, mas já levei donas de casa, crianças... Acho legal ampliar o alcance." As inscrições podem ser grátis ou custar até R$ 70, conforme o itinerário da vez. Recentemente, o site Arq!Bacana firmou uma parceria com a editora Narrativa Um. A ideia é que os passeios apresentados no livro Dez Roteiros Históricos a Pé em São Paulo sejam postos em prática. "Queremos promover pelo menos um por mês", revela o editor Roney Cytrynowicz. "O próximo, em setembro, será um percurso pela região da Avenida São João."

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