Catador protesta contra apreensão de carroças

Trabalhadores prometem fazer manifestação hoje na frente do gabinete do prefeito, no Viaduto do Chá

Fabiane Leite, O Estadao de S.Paulo

30 Novembro 2007 | 00h00

Catadores de papel do centro de São Paulo acusam a Prefeitura de apreender seu instrumento de trabalho: as carroças que utilizam para carregar o material que depois será separado e encaminhado para a reciclagem. A administração reconhece que apreensões têm ocorrido, mas alega que catadores da região não têm respeitado regras de trabalho e, com isso, prejudicam o trânsito e a limpeza de vias públicas. O caso é investigado pelo Ministério Público, que cobra desde janeiro melhores condições para o trabalho de catadores que atuam na coleta seletiva. Hoje eles prometem fazer um protesto na frente do gabinete do prefeito Gilberto Kassab (DEM) contra essas e outras medidas da administração que, segundo avaliam, têm dificultado sua participação na coleta seletiva de lixo. Também reclamam da situação precária de convênios de cooperativas oficiais de catadores mantidas pela Prefeitura, por causa de liminar obtida pela Defensoria Pública Estadual. Trabalhando há oito anos como catador, Renildo Manoel dos Santos, de 54 anos, teve carroças apreendidas em três ocasiões nos últimos oito meses. "Uma vez, a gente estava na frente da Catedral da Sé, à noite, e chegou um caminhão da Prefeitura e uma viatura e levaram tudo; tinha até meu agasalho e colchão dentro", afirma. Já Rogério Guimarães, de 35 anos, afirma que foi detido quando recolhia materiais em um prédio. "Também me revistaram." Manoel Ovídio Xavier, de 32 anos, diz que fiscais da Prefeitura o abordaram na Rua Xavier de Toledo, também no centro. "Pedi ajuda de amigos e fiz outra carroça." Líder de um grupo de catadores que mantêm uma cooperativa informal na Baixada do Glicério, região central, em área cedida pela Prefeitura, Sérgio da Silva Bispo conta que já soube de pelo menos dez casos este ano. De acordo com dados apresentados anteontem em evento do Fórum Lixo e Cidadania da Cidade de São Paulo, existem 20 mil catadores atuando na capital e 80% do material que chega para a reciclagem vem das mãos desses trabalhadores. A coleta seletiva oficial da Prefeitura responde hoje pela reciclagem de apenas 1% de todo o lixo produzido em São Paulo e inclui 15 cooperativas que abrigam pouco mais de mil catadores, mas a administração promete expandir sua participação. Segundo Wagner Taveira, diretor da Divisão de Coleta Seletiva da Prefeitura, o Departamento de Limpeza Urbana tem feito um trabalho em conjunto com as subprefeituras para reduzir problemas causados pelas carroças, como transbordo irregular de lixo nas ruas e risco de acidentes de trânsito. "Não é desrespeito, envolve até a questão da saúde dos trabalhadores", afirmou. Especificamente na área do Glicério, o município promete desde o início do ano uma nova área para facilitar o trabalho dos catadores. "Não há intenção de se tirar o instrumento de trabalho deles." Taveira afirma também que novos contratos com as cooperativas estão em elaboração. Segundo o promotor Clilton Guimarães, do Grupo de Atuação Especial de Inclusão Social do MP, a Prefeitura demora para dar estrutura aos catadores. "Esperamos que isso não faça parte de uma política de higienização da cidade."

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