Catanduvas mostra indiferença à presença de Beira-Mar

O traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, tornou-se o primeiro preso a ocupar uma das 208 celas da Penitenciária Federal de Catanduvas, a cerca de 470 quilômetros de Curitiba, no oeste do Paraná, onde chegou por volta das 3 horas da madrugada desta quarta-feira.Contudo, mesmo com a dimensão do fato, ele não conseguiu alterar a rotina da cidade de 7,5 mil habitantes; não foi o principal tema nas rodas. Essa indiferença pode ter motivo na discrição com que o preso foi levado de Brasília até a cidade."Por mim, pode vir quem quiser. Eu não conheço ninguém", disse o comerciante Pedro Burcart. Doralina Antunes, funcionária de uma empresa de confecções praticamente vizinha à penitenciária, também não tinha conhecimento, apesar do tráfego constante de carros de reportagem. "Não tenho nem noção", destacou. Mas também não a preocupa. "Quem está lá dentro não vai fazer mal."O que chamou mais a atenção foi a agitação da Polícia Militar, iniciada já no fim da tarde de terça-feira. Durante o início da noite, algumas viaturas acionaram as sirenes nas proximidades da edificação. Na manhã de quarta-feira, o policiamento, sobretudo na rodovia, era bastante ostensivo. Algo que os moradores dificilmente vêem. Nos carros, os policiais apareciam agarrados a seus armamentos.Transferência sigilosaA transferência de Fernandinho Beira-Mar foi executada sob sigilo absoluto das autoridades de segurança. A tarefa foi executada pelo Comando de Operações Táticas da Polícia Federal, segundo o Depen (Departamento Penitenciário Nacional).Toda a operação durou pelo quatro horas e meia. Um avião, C 208-Caravan, da Polícia Federal, levou Beira-Mar de Brasília até o aeroporto de Cascavel. De acordo com os funcionários do aeroporto, a aeronave, descaracterizada, pousou na pista exatamente à 1h35 da madrugada. Beira-Mar estava algemado e os policiais à paisana, para não chamar a atenção. O serviço de tráfego aéreo do aeroporto local só foi avisado da chegado do avião cerca de 15 minutos antes do pouso.Do aeroporto, os federais escoltaram o traficante em três blazers do Depen até a penitenciária federal de Catanduvas, que fica a 55 quilômetros de Cascavel. A viagem não teria demorado mais que 40 minutos.Dentro da penitenciáriaPara chegar a sua cela, Beira-Mar precisou passar por 17 portões de ferro. Já na entrada foi submetido à primeira identificação e aos procedimentos de segurança. Posteriormente, entrou na primeira "gaiola", onde já recebeu as orientações sobre o sistema da penitenciária. De porta em porta chegou à triagem, onde foi tirada a impressão digital e feitas as fotografias.Próximo dali, em armários, ficaram seus pertences. A partir desse estágio, foi conduzido com capuz na cabeça até a cela. Nela tem à disposição uma cama, uma pia e um vaso sanitário, tudo construído em concreto, com chapas de aço internas, mesmo material colocado nas paredes e no piso.Em sua cela, ele encontrou um uniforme padrão para detentos, um colchão, cobertor, travesseiro, chinelo de dedo e tênis, além de escova de dente, pasta, sabonete e um estojo de barbear, cedidos pelo Depen.O banho é na própria cela, com a água vinda de uma abertura no teto. As atividades do traficante já são monitoradas, durante todo o dia, por câmeras que transmitem imagens para a direção do presídio e para o Depen, em Brasília. Beira-mar tem o número de identificação 001.

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