Evaristo Sá/AFP
Evaristo Sá/AFP

Catástrofe ainda não terminou, diz ministra

Para Izabella Teixeira, do Meio Ambiente, Bacia do Rio Doce, seriamente afetada pelo mar de lama, pode ser recuperada

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

23 Novembro 2015 | 07h56

BRASÍLIA - A catástrofe ambiental provocada pelo rompimento da barragem da mineradora Samarco em Mariana (MG) ainda não terminou, admitiu neste domingo, 23, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Técnicos agora acompanham a trajetória da lama, que chegou ao litoral capixaba. Apesar de a dimensão dos estragos do acidente ainda não estar definida, a ministra garantiu que a Bacia do Rio Doce, seriamente afetada pelo mar de lama, será recuperada.

“Será um trabalho de longo prazo, mas devolveremos aos brasileiros a Bacia do Rio Doce e, talvez, em melhores condições do que estava”, prometeu Izabella. Segundo a ministra, o acidente ainda não terminou porque é preciso “concluir a migração da lama para o mar, que vai dispersá-la”. O governo, no entanto, começará imediatamente o processo de revitalização da bacia.

A ministra admite estar diante do pior desastre ambiental enfrentado pelo Brasil. Mas afirma que o episódio pode ser considerado como um “aprendizado”. “Todas as vezes que problemas como esses acontecem, há uma tendência de se rever parâmetros. Vamos discutir todo aperfeiçoamento necessário.”

A preocupação maior, nesta primeira etapa, é acompanhar a trajetória da lama procedente da barragem, que se rompeu no dia 5 e deixou até agora 8 mortos identificados e 11 pessoas desaparecidas. Entre as questões mais urgentes estão garantir o abastecimento de água para população da área afetada e garantir a retomada da pesca.

Izabella afirmou que um comitê de avaliação e monitoramento, integrado por representantes de sua pasta e por governos estaduais e municipais, está trabalhando de forma coordenada. Além de tentar reduzir o impacto dos estragos causados pelo rompimento, o grupo se debruça para avaliar medidas de compensação, como multas e indenizações.

Para a ministra, o episódio mostra a necessidade da inovação do modelo de governança. “Todos os relatórios estarão disponíveis. Temos de ser transparentes”, completou. Entre os documentos que serão divulgados estão os estudos da Agência Nacional de Águas (ANA) e laudos do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).

Composição. Uma das principais dúvidas sobre o impacto do acidente está relacionada à composição da lama e quanto tempo ela deve permanecer no ambiente. Quando do rompimento da barragem em Mariana, a Samarco garantiu que os rejeitos não eram tóxicos.

Até agora, no entanto, nenhum dado foi entregue pela empresa às autoridades públicas para comprovar que essa afirmação é verdadeira.

Com o rompimento da barragem, pelo menos 40 bilhões de litros de lama se espalharam. O acidente provocou reflexos também na barragem de Santarém, localizada abaixo da barragem que se partiu, a do Fundão.

O acidente causou um rastro de destruição. O mar de lama atingiu 14 cidades nos Estados de Minas e Espírito Santo. No Rio Doce, a lama, formada por matéria inorgânica, provavelmente impedirá que plantas cresçam. Parte do material deverá se depositar no fundo do rio, impedindo também que haja vida ali, avaliam os especialistas. No litoral, a estimativa do ministério é de que a lama se estenda por uma faixa de 9 quilômetros de mar no Espírito Santo – ao norte e ao sul da foz.

O abastecimento de água em Colatina, cidade no Espírito Santo que foi atingida pelo mar de lama, foi suspenso. Voluntários iniciariam uma operação para tentar resgatar peixes do Rio Doce, onde vivem cerca de 70 espécies nativas.

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