Cativeiro de presidente do Makro ainda não foi encontrado

Depois de oito dias de cativeiro em local desconhecido, o presidente da rede Makro Atacadista, Sérgio Giorgetti, foi libertado na manhã desta quinta-feira pelos seqüestradores, que estão foragidos. Ele chegou em casa, no bairro Alto da Boa Vista, na zona sul de São Paulo, por volta das 6 horas, de táxi. Examinado pelo médico particular, Giorgetti não mostrou sinais de problemas de saúde e passará os próximos dias descansando com a família.?Foi uma libertação negociada, acertada ontem (quarta-feira)?, disse o porta-voz da família e executivo da empresa, José Luís Possetti. Ele não confirmou se houve o pagamento de resgate. Entretanto, nenhum dos seqüestradores foi preso nem o cativeiro descoberto ou estourado pela polícia.Os contatos feitos pela quadrilha, contou o porta-voz, eram ?muito curtos? e não seguiam nenhum tipo de padrão ou rotina. Segundo ele, as negociações não foram acertadas pelos telefones da empresa ou da casa do executivo. A primeira ligação, porém, teria sido feita para o escritório de Giorgetti, quando os seqüestradores pediram o afastamento de policiais e da imprensa do caso. ?Desde o início dessa história toda, a polícia colaborou com a família?, disse Possetti. A empresa onde Giorgetti trabalha, segundo o porta-voz, também prestou auxílio aos parentes do seqüestrado.Abordagem Giorgetti foi levado por uma quadrilha de até oito pessoas na manhã do dia 30, quando estava a caminho do trabalho. O executivo estava na altura do número 271 da Rua Américo Brasiliense, no mesmo bairro onde mora, em um Ômega cinza blindado. Dois carros, um Vectra e um Gol, pararam em frente do veículo. Na ação, descrita por testemunhas à polícia, alguns dos criminosos atiraram para o alto, provavelmente para intimidar a vítima.Quando a polícia chegou, apenas o Ômega estava no local. O caso foi registrado no 11.º Distrito Policial (DP) e encaminhado para a 2.ª Delegacia da Divisão Anti-Seqüestro (Deas) da Polícia Civil. Segundo o delegado Valter Bassoli Carvalho, titular do 11.º DP, havia meses não ocorria um seqüestro desse tipo no Alto da Boa Vista, bairro de classe média alta. O executivo vive em um condomínio de casas de alto padrão. A equipe da Deas tentará ouvir Giorgetti hoje. Se não for possível, marcará uma data para a próxima semana. Os policiais querem obter informações sobre o modo de agir da quadrilha, as condições do cativeiro e a forma como a vítima foi tratada pelos seqüestradores. A Secretaria da Segurança Pública informou, por meio da Assessoria de Imprensa, que a Deas começou a investigar o caso após a libertação do seqüestrado.AtacadistaO executivo Sérgio Giorgetti, de 62 anos, é presidente do Makro Atacadista ? empresa líder no segmento brasileiro de atacado ? que atende pelo sistema de auto-serviço, com 36 armazéns, em 19 Estados. Ela atua no setor de alimentos e não-alimentos e trabalha com produtos de marca própria, em embalagens industriais destinadas ao mercado de hotéis, restaurantes e cafeterias. A empresa faz parte do grupo Makro América do Sul com operações na Argentina, Colômbia e Venezuela e é controlada pela SHV Holding, de capital holandês.Reservada com números, a empresa, segundo sua assessoria, fornece resultados apenas à Bolsa de Valores. O balanço do ano passado ainda não foi fechado.A primeira loja do grupo no Brasil foi aberta em 1972. Sérgio Giorgetti começou a trabalhar no Makro quatro anos depois como gerente de loja, onde ficou até 1982.Depois de dois anos fora, ele retornou à companhia e lá permaneceu até 1987, quando saiu para ser diretor do Ponto Frio. Em 1995, estava de novo no Makro, desta vez para exercer o cargo de diretor comercial. Em 1997, passou a responder pela presidência da empresa.

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