Alessandra Tarantino/AP
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Católicos não devem se reproduzir 'como coelhos', afirma papa

Francisco diz que proibição de contraceptivos não significa que fiéis devam ter vários filhos; pontífice visitará Bolívia, Equador e Paraguai

O Estado de S. Paulo

20 Janeiro 2015 | 15h10

VATICANO - Os católicos não deveriam sentir que devem se reproduzir "como coelhos" por causa da proibição da Igreja Católica a métodos contraceptivos, disse nesta segunda-feira, 19, o papa Francisco, sugerindo formas naturais de planejamento familiar. 

Francisco usou a linguagem direta durante uma entrevista coletiva de uma hora a bordo do avião que levou o pontífice de Manila a Roma no fim de sua viagem de uma semana pela Ásia. 

As despreocupadas declarações se tornaram uma características do estilo simples do papa, que tende a ser direto e se sente mais à vontade ao usar expressões coloquiais para ilustrar seus pontos de vista. 

Francisco falou sobre controle de natalidade e população, temas que foram levantados nas Filipinas, onde a igreja local se opõe a uma lei do governo que torna os contraceptivos mais acessíveis. 

"Alguns pensam, desculpem se uso a palavra, que para ser bons católicos temos que ser como coelhos, mas não", disse o papa, acrescentando que a Igreja promovia a "paternidade responsável". 

Ele contou sobre o caso de uma mulher que conheceu recentemente que havia dado à luz sete bebês por cesariana e que colocou sua vida em risco ao engravidar de novo. O papa disse que chamou a atenção dela por "tentar a Deus". "Isso é uma irresponsabilidade", acrescentou. 

O líder da Igreja Católica, com 1,2 bilhão de fiéis, reafirmou a proibição aos métodos contraceptivos artificiais e acrescentou que existiam "muitas vias permitidas" de planejamento familiar natural. 

A Igreja aprova apenas os métodos naturais de contracepção, principalmente a abstinência do sexo durante o período fértil da mulher. 

Visita à América do Sul. O papa anunciou também que planeja visitar Bolívia, Paraguai e Equador em 2015. O presidente boliviano, Evo Morales, disse mais cedo em uma entrevista coletiva que o papa havia anunciado, de forma não oficial, sua visita aos três países latino-americanos em meados deste ano. Francisco anunciou também planos de visitar Uganda e República Centro-Africana. 

Segundo uma entrevista ao jornal La Razón, Morales revelou que sugeriu a Francisco, de 78 anos, que chegasse à Bolívia por Santa Cruz por razões de saúde. Contudo, o pontífice argentino disse que tem interesse em visitar La Paz. 

"Ele (Francisco) me disse: 'Quero visitar La Paz, quero visitar La Paz', me repetiu duas ou três vezes", disse Morales. 

O presidente afirmou que ainda não sabe quantos dias o pontífice permanecerá na Bolívia. 

"Vamos preparar (o recebimento) com a Igreja Católica, com os movimentos sociais, porque o papa quer conversar com movimentos sociais, em especial com os indígenas", afirmou Morales, segundo o La Razón

A presença do papa Francisco na Bolívia ocorrerá 27 anos após a ida do papa João Paulo 2º ao país sul-americano, em 1988./REUTERS

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