Católicos se reconciliam em Campos

Uma cerimônia comandada pelo cardeal Dario Castrillón Hoyos, enviado do Vaticano, terminou nesta sexta-feira com uma briga de 20 anos entre os católicos de Campos, no norte fluminense, divididos entre tradicionalistas e progressistas.Na missa, o bispo tradicionalista Dom Licínio Rangel foi oficialmente reconhecido pelo Vaticano. O cardeal Hoyos leu documento em que o Papa João Paulo II acolhe a corrente tradicionalista. ?O perdão é a realização do desejo de Cristo de amarmo-nos uns aos outros?, afirmou o cardeal, na Catedral Diocesana.A divisão na Igreja Católica teve início com as reformas introduzidas pelo Concílio do Vaticano II, que permitiu aos padres rezarem as missas nas línguas dos países em que eles pregavam, e não em latim, e permanecerem de frente para os fiéis durante a cerimônia, entre outras mudanças.Em 1988, o arcebispo francês Marcel Lefevbre sagrou quatro bispos à revelia do Vaticano. Ele e o então bispo de Campos, dom Antônio de Castro Mayer, que também celebrou o ato religioso, foram excomungados. No ano passado, o papa perdoou os tradicionalistas. Lefevbre e Mayer já haviam morrido.O bispo progressista de Campos, dom Roberto Guimarães, comemorou o fim do cisma. ?Vamos nos sentir mais irmanados, com os mesmos objetivos. É tudo uma igreja só?, afirmou o bispo, que é o responsável pela diocese perante o Vaticano.Dom Licínio Rangel diz que pretende ir a Roma para agradecer ao Papa João Paulo II. Campos é o maior reduto tradicionalista do País, com 30 mil fiéis.

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