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Catra disputa samba da Mocidade Independente

Funkeiro famoso por músicas com forte apelo sexual se inscreve em concurso, que terá Paulo Barros e Claudia Leitte em 2015

FÁBIO GRELLET, O Estado de S. Paulo

14 de setembro de 2014 | 02h02

RIO - Famoso como autor de funks com forte apelo sexual, como Mama, Esper Matou o Zóide e Ela Dá Pra Nois, Mr. Catra, ou Wagner Domingues Costa, de 45 anos, agora investe em samba-enredo. Com sete amigos, o músico, que tem três mulheres e 28 filhos, compôs uma das 42 músicas inscritas no concurso para o samba do carnaval 2015 da Mocidade Independente de Padre Miguel.

Sob a batuta do premiado carnavalesco Paulo Barros, que estreia na escola da zona oeste, a Mocidade levará à Sapucaí o enredo Se o mundo fosse acabar, me diz o que você faria se só lhe restasse um dia. A composição assinada por Catra não tem nenhum conteúdo "proibido".

O trecho mais "impróprio" soa ingênuo ao falar de nudez: "Cantar... zoar... sambar.../ pelado então ficar / nada vai nos censurar". Bem diferente dos funks de Catra - um dos mais famosos e de menor conteúdo sexual, Adultério, versão de Tédio, do Biquíni Cavadão, diz: "Na '4 por 4' a gente zoa / Uísque e energético, quanta mulher boa / O bagulho tá sério / Vai rolar um adultério", referindo-se a um famoso prostíbulo do Rio.

Quem ouve o samba-enredo só identifica a intervenção de Catra no início, com os gritos de guerra "Sem neurose, sem caô", "Vem que vem, o bagulho é louco" e "Uh, o papai chegou" entoados em sequência pelo próprio músico.

"Samba e funk são primos", garante Catra, cujo pai foi passista de escolas de samba do Rio. "Eu gosto muito de samba e carnaval. Sempre que posso vou às quadras e acompanho os sambas", revela o funkeiro, ressaltando um gosto que só começou a expor aos fãs ao lançar Com todo respeito ao samba, CD de 2012.

A incursão pelo samba-enredo foi um convite de Karlinhos Guerreiro, amigo que já concorreu em anos anteriores. A parceria inclui ainda outro famoso, muito mais estranho ao mundo do samba do que o funkeiro: o zagueiro Leandro Euzébio, ex-Fluminense e atualmente sem clube, após uma passagem pelo Catar. O atleta também é amigo de Karlinhos e foi convidado a assinar o samba não por seus dotes musicais, mas como meio de alavancar a parceria.

Para a escolha do samba são levados em consideração não só critérios técnicos, mas também aspectos políticos. Ter pessoas famosas figurando como autores pode aumentar o favoritismo de uma música concorrente. A primeira eliminatória para a escolha do samba ocorreria na noite de ontem.

Outras atrações. Catra não é a única novidade da Mocidade para o desfile de 2015. Após 11 anos de mau desempenho, quando variou entre o 7.º e o 11.º lugares, a escola pentacampeã do carnaval carioca voltou ao comando da família Andrade.

Nos anos 1990, quando a Mocidade Independente levou três títulos e Sonhar não custa nada tornou-se um dos sambas mais famosos do carnaval, seu patrono era o contraventor Castor de Andrade, que também alçou o Bangu a vice-campeão brasileiro em 1985.

Castor morreu após o carnaval de 1997 e a escola nunca mais aprumou. Rogério Andrade, sobrinho do contraventor e também acusado de envolvimento com o jogo do bicho, assumiu a escola poucos dias antes do desfile deste ano, quando já estava tudo pronto - a Mocidade ficou em 9.º lugar.

Logo, ele começou a planejar o próximo carnaval e contratou o carnavalesco Paulo Barros, que nos últimos cinco anos conquistou três títulos, um vice e um terceiro lugar pela Unidos da Tijuca. A segunda providência foi convidar para rainha da bateria da agremiação a cantora de axé Claudia Leitte, coroada no dia 6.

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