Causa da queda do AF447 deve continuar um mistério, diz fonte

Autoridades francesas retomarão buscas por caixas-pretas em fevereiro; acidente deixou 228 pessoas mortas

Reuters e BBC Brasil,

13 de dezembro de 2009 | 14h06

Investigadores franceses não deverão conseguir estabelecer a causa exata do acidente com o voo da Air France AF 447, que seguia do Rio para Paris, no relatório que será entregue nesta semana, mas devem recomendar maneiras para ajudar a localizar com mais facilidade caixas pretas, disseram fontes próximas ao caso.

 

A autoridade francesa de investigação de acidentes, BEA, deve divulgar na quinta-feira seu relatório final sobre o acidente com o avião da Air France em que 228 pessoas morreram. O avião caiu no mar em 1.º de junho depois de ter enfrentado uma tempestade.

 

A caixa preta não foi encontrada e apenas pequenas partes da aeronave Airbus A330 foram recuperadas. "Eu não espero muitas informações novas concretas sobre a causa do acidente", disse uma fonte próxima à investigação.

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Uma segunda fonte concordou, afirmando que o relatório terá pouco a somar a um relatório preliminar inconclusivo divulgado em julho. Segundo elas, as conclusões do novo relatório estão sendo finalizadas. A BEA recusou-se a comentar.

 

As especulações se concentram no possível congelamento dos sensores de velocidade do avião, que aparentemente forneciam dados inconsistentes e podem ter prejudicado outros sistemas.

 

Autoridades de segurança determinaram que fossem feitos exames nos sensores, e restringiram o uso do tipo instalado no avião, produzido pela francesa.

 

Mas os investigadores não devem atribuir a culpa a nenhuma questão, disse uma fonte próxima à investigação. Em vez disso, a BEA deve fazer ao menos três recomendações sobre segurança aérea em geral, disse essa fonte. Entre elas, estaria a ampliação de 30 para 90 dias da vida útil das balizas ligadas aos gravadores de voo.

 

Buscas

 

Investigadores franceses anunciaram que vão retomar em fevereiro as buscas para tentar encontrar a caixa preta do avião da Air France. O diretor da BEA, Jean-Paul Troadec, anunciou a decisão de empreender novas buscas após se encontrar com parentes das vítimas do acidente, no Rio de Janeiro, no sábado.

As buscas compreenderiam mais três meses de rastreamento do leito marinho. Até agora, a procura resultou frustrante mesmo com a ajuda de um submarino nuclear empregado pelas autoridades francesas logo para esta finalidade.  O correspondente da BBC Mundo em Paris, Gerardo Lissardy, disse que a operação custaria entre 12 milhões e 20 milhões de euros (entre R$ 30 milhões e R$ 50 milhões).

As circunstâncias que levaram o Airbus A-330 a cair no mar permanecem uma incógnita. A caixa-preta, onde estão registrados os principais dados do voo, é considerada peça-chave nas investigações, mas acredita-se que esteja, assim como outros restos da aeronave, a uma profundidade de cerca de 4 mil metros abaixo do nível do mar.

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