Causa de crise aérea foi falta de planejamento, diz ministro

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, afirmou nesta quinta-feira, 7, que o principal problema do setor de transportes no País é a falta de planejamento. Para ele, esse é o motivo da crise atual no setor aéreo e também da má conservação das estradas brasileiras. Nardes é o ministro responsável pela investigação do TCU sobre as causas do "apagão aéreo" e fiscalizou, no semestre passado, a "operação tapa-buracos" nas rodovias federais.Nesta quinta, após se reunir com a diretoria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Nardes anunciou que na próxima terça-feira, 12, apresentará em sessão extraordinária do tribunal seu relatório preliminar sobre a crise do setor aéreo. "Uma Nação que pretende ser desenvolvida tem que ter planejamento para os transporte", afirmou. "Por falta desse planejamento, eu senti que quando hoje se fala em espaço aéreo a situação é de dependência total dos controladores de vôo", completou.Nardes antecipou que fará recomendações em seu relatório preliminar para uma melhor utilização dos recursos destinados à aviação. Ele citou como exemplo do mau uso das tarifas e taxas de embarque cobradas das empresas aéreas e dos passageiros. Segundo o Sindicato Nacional das Empresas Aéreas, essas taxas deverão somar este ano cerca de R$ 950 milhões. "Já deu para perceber que boa parte dos recursos para o setor aéreo foram contingenciados", afirmou o ministro, se negando a dar mais detalhes pois ainda receberá na sexta, 8, relatórios técnicos da Anac e da Infraero sobre a aplicação desse dinheiro.O ministro disse que também apontará falhas na fiscalização da Anac e criticou a falta de autonomia da agência reguladora. Segundo ele, essa falta de autonomia afeta a utilização dos poucos recursos que chegam à Anac. "Isso limita a capacidade de atuação da agência", comentou. Ainda na reunião desta quinta, Nardes disse que pediu à diretoria da Anac uma cobrança mais firme das companhias aéreas para que atendam melhor os usuários - com pagamento de alimentação e hospedagem - que estão passando horas nos aeroportos do País.

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