Causa de incêndio em favela ainda é desconhecida

O corpo de mais uma criança, que ainda não foi identificado, foi encontrado de manhã durante a operação de rescaldo do incêndio ocorrido na tarde de ontem na Favela da Lacraia, localizada sob as pistas da Linha Vermelha (ligação zona sul-Baixada Fluminense). A causa do incêndio, que deixou dois mortos e 300 pessoas desabrigadas, só será conhecida em no mínimo 15 dias. Uma das hipóteses é a explosão de um botijão de gás, segundo o secretário de Segurança, Josias Quintal.As obras de recuperação do trecho da Linha Vermelha, que cedeu durante o incêndio, começaram hoje e devem estar concluídas em 90 dias, segundo técnicos do Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Moradores voltaram ao local onde ocorreu o incêndio na tentativa de recuperar algum objeto ou documento que não tenha sido destruído pelo fogo. Os desabrigados foram acomodados temporariamente no Centro Integrado de Apoio à Criança (CIAC) e na Associação de Moradores da favela Boa Esperança.O secretário adjunto de Defesa Civil, coronel Jorge Lopes, disse que ainda não é possível saber a causa do incêndio. "É prematuro dizer se o fogo foi criminoso. Mas essa informação será levada em consideração durante a investigação", comentou. Os moradores, no entanto, dizem que o aconteceu foi obra de um ato criminoso. "Eu vi o princípio do incêndio e não tinha nada explodindo. Aqui todo mundo sempre teve muito cuidado por causa dos barracos, que são todos de madeira", disse Viviane Nascimento, de 16 anos, mãe de um menino, Mateus, de 4 meses.Inconformada por ter perdido todos os seus pertences, a vendedora ambulante Alizelda da Silva, de 25 anos, também acha que o fogo não foi obra do acaso. "Foi criminoso, não tem essa história de botijão, como estão dizendo".Hoje, enquanto esperava na fila para se cadastrar, ela se mostrava inconformada com o que tinha acontecido. "Virou tudo cinza. A vida da gente parece que acaba", comentou.A Secretaria de Ação Social cadastrou 112 famílias e forneceu alimentos para o almoço da população. O subsecretário Ricardo Bittar acredita que cerca de 300 pessoas estão desabrigadas. "Os moradores serão transferidos para unidades de algum programa habitacional do Estado, mais provavelmente para um conjunto em Sepetiba ou outro em Acari", afirmou.O secretário municipal de Transportes, Luiz Paulo Corrêa da Rocha, que esteve de manhã cedo no local, calcula que o tráfego da Avenida Brasil, opção à Linha Vermelha, deve ter um aumento de 66%. Por volta do meio-dia, o secretário de Segurança Pública, Josias Quintal, esteve na favela acompanhado do comandante geral da Polícia Militar, Wilton Ribeiro.Quintal disse que a tragédia "foi um alerta" para o problema do crescimento de favelas construídas debaixo de viadutos e via expressas. "Mandamos fazer um levantamento em todo Estado de casos como este. Temos que ter uma política mais enérgica com relação ao aparecimento deste tipo de favela." A área incendiada está sob vigilância de 200 policiais militares.Três máquinas estão sendo utilizadas para derrubar os cerca de 50 metros da Linha Vermelha que cederam por conta do calor do incêndio da favela. Um trator limpa o terreno onde ficavam os barracos, enquanto uma tesoura hidráulica tritura o asfalto e o concreto. Um outro equipamento, uma rompedora hidráulica, está sendo usada para romper o asfalto.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.