Causas de acidente com caminhão de gás são desconhecidas

Acidentes de parar o trânsito não são novidades em São Paulo. Mas, além de congestionamento, a queda da carga de uma carreta na pista expressa da Marginal Pinheiros, sentido Rodovia Castelo Branco, teve reflexos na saúde dos paulistanos. Oito cilindros contendo gás butil mercaptano, usado para dar cheiro ao gás de cozinha, caíram da pista e em uma galeria de água e dois deles vazaram. O forte cheiro se espalhou rapidamente pela zona sul e provocou náuseas e dores de cabeças em várias pessoas. Eram 4h15 quando o zelador Francisco de Assis Roberto acordou com o cheiro forte. "Tive medo de explosão, achei que fosse um vazamento do gás de cozinha no prédio todo." Na mesma hora, o zelador interfonou para condôminos pedindo que não fosse aceso nem fósforo e interruptores. Nem Corpo de Bombeiros, nem Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) puderam afirmar o que realmente provocou a queda da carga. "É possível que o motorista tenha perdido o controle do veículo", supôs o capitão dos bombeiros, Rogério Longato. O motorista, Fernando Gomes da Silva, foi levado ao Hospital das Clínicas e não quis falar com a imprensa. "Ele só me disse que havia um desnível na pista", declarou o representante da empresa Arquema Química Limitada - dona do produto, Antônio Carlos.A pista expressa da Marginal ficou completamente interditada das 5 horas às 8h30, pois havia risco de explosão. Até os trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), foram impedidos de parar nas estações da Cidade Jardim e Hebraica-Rebouças por mais de uma hora. "Qualquer faísca provocada pelo atrito dos freios era perigosa", explicou Longato. Às 10 horas o índice de congestionamento chegou a 126 quilômetros, bem acima da média para o horário, 37 quilômetros. O trânsito na pista expressa só foi liberado totalmente às 11h30.A CET deverá cobrar cerca de R$ 50 mil pelo trabalho desenvolvido no local, como prevê o decreto de janeiro deste ano. "Se passar de uma hora podemos encaixar na nova lei e calcular os custos para repassar à transportadora", informou o gerente de operações, Paulo Millano. Segundo o químico da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), Jorge Gouveia, o gás não é tóxico, mas causa incômodo pois é perceptível em baixa concentração. E para piorar, o gerente de tecnologia do ar da Cetesb, Carlos Eduardo Komatsu, explicou que o clima seco, com poucos ventos e com o fenômeno da inversão térmica (que forma uma camada na atmosfera que impede a dispersão de poluentes), dificultaram a dispersão. A carga importada da França, chegou ao Porto de Santos e estava sendo transportada para Rio Claro, no interior. A investigação do acidente será feita pela Delegacia de Crimes Ambientais, com base em laudos do Instituto de Criminalística e da Cetesb. Se for comprovado que o gás causou poluição, o responsável pode ficar preso por um período de um a quatro anos.

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