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CE pede ajuda da Força Nacional para conter rebeliões em presídios

Governador Camilo Santana montou gabinete de crise e conversou com ministro da Justiça; 14 mortes de detentos foram confirmadas

Carmen Pompeu, Especial para o Estado

23 Maio 2016 | 12h59

FORTALEZA - O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), solicitou ao Ministério da Justiça ajuda da Força Nacional de Segurança para conter a onda de rebeliões nas unidades prisionais do Estado, desencadeada no sábado, 21. A ajuda deve chegar ainda nesta segunda-feira, 23, segundo informou fontes ligadas ao governo cearense. Até o momento, 14 mortes de presos foram confirmadas. Segundo a Secretaria de Justiça do Estado, as mortes aconteceram durante conflitos entre os próprios detentos.

De acordo com Santana, foi montado um gabinete de crise, que está funcionando desde a manhã de sábado. O governador afirmou que acompanha pessoalmente todos os trabalhos desse grupo. 

"Além do apoio do Poder Judiciário, do Ministério Público e das nossas forças de segurança, que vêm atuando bravamente desde o início da greve dos agentes penitenciários, considerada ilegal pela Justiça, já solicitei  no domingo o apoio da Força Nacional de Segurança, no sentido de garantir a estabilidade nos presídios, especialmente durante a recuperação das instalações, que foram destruídas por conta das rebeliões", informou o governador.

Santana assegurou ter conversado com o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, que já teria garantido apoio imediato.

"Lamento profundamente o que vem ocorrendo em nossas unidades prisionais e não medirei esforços, junto com nossas forças de segurança, para que haja a estabilidade do sistema penal o mais rápido possível", disse o governador. "Minha determinação é de que todas as medidas necessárias para isso sejam tomadas."

A onda de rebeliões nas unidades prisionais do Ceará começou sábado de manhã, quando parentes foram impedidos de visitar os presos por causa da greve dos agentes penitenciários. Ainda no sábado, o governo estadual cedeu e resolveu ampliar de 60% para 100% a gratificação por serviço de risco, que será feita de forma escalonada até 2018. Os agentes aceitaram, mas instabilidade nos presídios ainda continua.

Dentre os mortos, estão Luan Brito da Silva, 21 anos, que respondia por latrocínio; Paulo César de Oliveira, 46 anos, respondia por tráfico; Francisco Clenildo Felipe Costa, 40 anos, respondia por furto; Daniel Henrique Maciel dos Santos, 26 anos, respondia por homicídio e roubo; Diego Martins da Silva, 31 anos, respondia por roubo; Roberto Bruno Agostinho da Silva, 23 anos, respondia por homicídio; Rian Pereira Paz, 33 anos, respondia por tráfico de drogas; e Daniel de Sousa Oliveira, 22 anos, respondia por homicídio e roubo. Seis pessoas não foram identificadas e aguardam exames da Perícia Forense.

A Sejus informou ainda que uma operação de policiais e agentes penitenciários identificou, nesta segunda-feira, um túnel na unidade Agente Luciano Andrade Lima. Não há confirmação oficial de fugas. 

Desde o fim de semana, equipes da Sejus e do Departamento de Arquitetura e Engenharia estão avaliando os danos causados nas unidades prisionais. "Ainda hoje, iniciam os reparos em uma das unidades danificadas. Não houve interrupção no fornecimento de água nem comida. Assistentes sociais estão na entrada dos complexos oferecendo apoio aos familiares", garantiu a Sejus, em nota à imprensa.

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