Ceagesp perde R$ 220 mil e planeja reforma

Centro estuda forma de dividir os prejuízos com os 90 permissionários; cerca de 300 toneladas de abacaxi e melancia ficaram estragados

Elvis Pereira, O Estadao de S.Paulo

10 de setembro de 2009 | 00h00

A chuva de anteontem estragou cerca de 300 toneladas de melancia e abacaxi na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), na Lapa, zona oeste da capital. Houve um prejuízo de R$ 220 mil. As frutas se tornaram impróprias para consumo ao entrarem em contato com a água que retornou dos bueiros da rua e invadiu o pavilhão onde estavam armazenadas. Para evitar novos problemas, a companhia pretende reformar o prédio no próximo ano.

O gerente do departamento de Entreposto do Ceagesp, Vinicius Petroni Ferraz, afirmou que os 90 permissionários afetados pela enchente não arcarão com as perdas sozinhos. "Iremos nos reunir com eles esta semana para verificar como vamos ajudá-los."

Ferraz atribuiu a inundação ao retorno da água do Rio Pinheiros, situado perto dali, que transbordou. "Nossas galerias e bocas de lobo estavam limpas", defendeu. Segundo ele, no próximo semestre a companhia iniciará o estudo para a reforma do pavilhão atingido pela chuva. O prédio é o único no complexo do Ceagesp cujo nível do piso é o mesmo da rua.

A intenção é elevar o nível, a exemplo do que fez, há mais de 15 anos, o comerciante Jogemir Veras e Morais. Após perder 45 toneladas de jaca numa enchente, ele decidiu erguer por conta própria uma plataforma de madeira com 1 metro e meio de altura. Ontem, a estrutura estava repleta de frutas. "Cedi para os vizinhos colocarem as mercadorias que salvaram."

No dia seguinte à enchente, era comum a cena de vendedores lamentando prejuízos. "Este galpão é esquecido. Eles (diretores do Ceagesp) esperam acontecer essas coisas", reclamava Luis Antonio Rodrigues da Silva, que perdeu cerca de 4 mil melancias. Para salvar parte da mercadoria, o colega dele, José João de Moura, transformou o escritório em depósito e colocou ali mais de 100 melancias.

"Foi muito rápido, ninguém esperava (que inundasse)", disse o vendedor Avelar de Sousa Bezerra. "Encheu um pouquinho e logo recuou. Mas, 20 minutos depois, começou a subir rapidamente." Ontem, em meio à limpeza da área, ele dispensava os clientes. A expectativa dos comerciantes era de que, após dois dias de prejuízo, as vendas fossem normalizadas hoje.

A limpeza do pavilhão inundado foi concluída apenas na tarde de ontem. Foram mobilizados 80 pessoas e 20 caminhões. A parcela das 44 vias do Ceagesp que ficaram interditadas também voltou a receber caminhões normalmente. O gerente da companhia garantiu que as 300 toneladas de frutas contaminadas - o equivalente a 40% do volume de produtos armazenados no pavilhão - seriam esmagadas e transportadas para um aterro em Campinas, no interior do Estado, e para uma usina de compostagem.

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