Ceará digitaliza cadastro de presos e descobre sumiço de 26

Governo nega que detentos tenham fugido pela porta da frente, em dia de visitas, como diz 'Diário do Nordeste'

Carmen Pompeu, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2008 | 15h13

A Secretaria de Justiça do Ceará está mudando o sistema de cadastro de presos, que era manual, para o digital. Durante o processo, faltaram 26 detentos no Instituto Penal Paulo Sarasate (IPPS), o maior do Estado, localizado em Aquiraz, na região metropolitana de Fortaleza. A informação sobre o suposto sumiço dos presos, que era tratada de forma sigilosa pelas autoridades cearenses, acabou vazando e foi publicada na edição desta sexta-feira, 19, do jornal Diário do Nordeste. Segundo uma fonte não revelada pelo jornal, as suspeitas indicam quer os presos saíram do IPPS nos dias de visita, às quartas-feiras e domingos, com a possível ajuda de servidores públicos. Nesta manhã, o secretário de Justiça Marcos Cals negou a fuga dos 26 presidiários e que tenham conseguido escapar pela "porta da frente", como sugere a reportagem do jornal cearense. De acordo com ele, durante este ano houve apenas três fugitivos no IPPS: Alexandre de Sousa Ribeiro, o Alex Gadernal, José Luciano Evangelista Cazuza, o Barriga, e Rubens Ramalho de Araújo, o Rubão. Destes, somente Rubão, que é especialista em assaltos a carros-fortes, continua desaparecido. Cals informou que uma sindicância apurou a fuga dos dois primeiros. Segundo ele, foi concluído que os detentos contaram com a colaboração de dois agentes prisionais e de dois policiais. Os quatro servidores estão sendo processados administrativamente e poderão ser demitidos. Tensão Com capacidade para 950 presos, o IPPS está com 1.290. O clima é tenso na unidade prisional. Nesta madrugada houve um princípio de rebelião. Dois presidiários foram mortos de forma violenta por companheiros de cela. Os corpos de Mário Henrique Araújo de Oliveira, preso por seqüestro, e Joseune Soares de Oliveira, detido por assalto, foram encontrados no pavilhão 7, onde policiais também acharam dezenas de celulares, carregadores e uma grande quantidade de droga. De acordo com Bento Laurindo, coordenador do Sistema Penal do Estado, os dois teriam perdido o controle sobre o tráfico de drogas dentro do presídio depois que a Polícia tirou deles, durante vistoria realizada semana passada, dois revolveres, com os quais ameaçavam os demais presos.

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