Celso Amorim reclama de fichamento de brasileiros. Publicamente

Depois da reclamação feita pelo secretário de Estado americano, Colin Powell, contra o fichamento de cidadãosamericanos que chegam ao Brasil, hoje foi a vez do chanceler Celso Amorim criticar o sistema de controle de entrada deestrangeiros que vem sendo adotado pelos Estados Unidos, o US-Visit, desde o início da semana. ?Acho legítimo que osEstados Unidos invoquem razões de segurança, mas daria para fazer (o controle) garantindo um tratamento condigno aoscidadãos brasileiros?, disse Amorim.?Se a razão é segurança, poderia ter sido feito com o Brasil o que já foi feito com outros países: dar um tempo para que asautoridades brasileiras adequassem os passaportes às normas de segurança exigidas?, acrescentou o chanceler. Ele confirmouque conversou sobre o assunto com Colin Powell, por telefone, na quarta-feira. Segundo o ministro, foi uma conversa ?cordial?, emque ambos manifestaram ?as preocupações de parte à parte?.Amorim defendeu a aplicação do princípio de reciprocidade nessa questão. Apesar disso, admitiu ser ?provável? que o governo várecorrer contra a decisão do juiz federal Julier Sebastião da Silva, de Mato Grosso, que determinou fotografar e coletarimpressões digitais dos cidadãos americanos que chegam ao País. O juiz baseou sua decisão no procedimento similar quepassou a ser aplicado pelos EUA aos estrangeiros, com exceção daqueles provenientes dos países dos quais não se exige vistode entrada. O ministro, porém, não quis, entrar em detalhes sobre esse possível recurso judicial. ?Temos que ver com cuidado. É umaquestão em que entram problemas jurídicos e não quero antecipar nada?, disse ele, depois de uma solenidade no PalácioItamaraty. Mais tarde, ele voltou a comentar essa possibilidade no Palácio do Planalto, onde participou da cerimônia de sançãoda Lei de Renda Mínima. "São providências a serem tomadas pensadamente e não apressadamente, dentro de um conjunto deconceitos que permitam melhor tratamento aos brasileiros nos EUA." O prazo para que o governo recorra da liminar do juiztermina no dia 19.No Itamaraty, Celso Amorim relatou que, no telefonema, Colin Powell reclamou da demora enfrentada pelos americanos paradesembarcar no Brasil e também do fato de que apenas os cidadãos daquele país estão sendo fichados. No Planalto, aocomentar declaração da embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Donna Hrinak, de que os americanos estão sendo "umpouco discriminados", ele afirmou: "Nós também podemos dizer que somos discriminados, porque (cidadãos de) 27 países estãoisentos da medida norte-americana.? Para o chanceler, a situação é "complexa e delicada", porque, segundo ele, há "interesses"de um lado e "princípios" de outro. "Procuramos o melhor equilíbrio possível." ?As relações internacionais se fazem com base noprincípio da reciprocidade?, disse Amorim. ?E não é para que (as autoridades) tratem mal as pessoas. É para que tratem bem?,completou. Segundo o ministro, o fichamento dos americanos não pode ser entendidos como retaliação ao governo dos EUA. ?Falamos de reciprocidade. Jamais usaríamos isso como retaliação.? O chanceler disse que ele e Powell voltarão a conversarsobre o assunto para buscar uma solução satisfatória para os dois lados.Assegurou que a preocupação do governo é garantir o tratamento condigno dos brasileiros que viajam aos EUA e ? apesar dosatritos dos últimos dias ? manter o alto nível das relações entre Brasil e Estados Unidos.?É uma relação excelente e muito importante para o Brasil?, afirmou.

Agencia Estado,

08 de janeiro de 2004 | 19h16

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