Cem anos de Burle Marx revelados no Moreira Salles

No Instituto Moreira Salles, costuma-se brincar que os jardins e o painel de Burle Marx que adornam a sede carioca são a parte mais preciosa de seu acervo. Não por acaso: erguida entre 1949 e 1951, a antiga residência do banqueiro e diplomata Walther Moreira Salles e de sua família, na Gávea, zona sul do Rio, tem um conjunto assinado pelo paisagista, cujo centenário está sendo celebrado pelo IMS. Agosto é o Mês Burle Marx no centro cultural - ontem foi celebrado o centenário de seu nascimento. Uma programação especial, que começa no sábado, foi desenhada para marcar a data. Pelos jardins, abertos ontem ao público, mas por muitos anos espaço de festas e reuniões reservadas a políticos, empresários e socialites, serão oferecidas visitas guiadas, no sábado e no dia 22. Com um informativo técnico, os visitantes poderão conhecer as espécies de plantas presentes na área externa da residência projetada por Olavo Redig de Campos, expoente da arquitetura moderna brasileira, como bromélias e orquídeas. Alguns pontos altos dos 10 mil m² de área: o painel de azulejos de 1949, desenhado por Burle Marx, que fica ao lado do lago, e o jardim geométrico, perto da entrada da casa. O belíssimo piso em mármore, visto em parte do exterior e interior do imóvel, também tem a assinatura de Burle Marx. Suas escolhas foram feitas em harmonia com a vegetação local (a residência foi construída no meio da mata) e um riacho. "É um conjunto muito bem preservado. Um ou dois anos antes de o Roberto morrer, a família o procurou para fazer um restauro", atesta o paisagista Haruyoshi Ono, diretor da empresa Burle Marx & Cia e seu colaborador de 1965 até sua morte, em 1994. A manutenção conta com sua assessoria. A programação de aniversário inclui uma exposição de 50 fotografias do franco-brasileiro Marcel Gautherot, do acervo do IMS. São encomendas feitas por Burle Marx a Gautherot ao longo de anos de trabalho em parceria (retratos de jardins, flores, árvores), além de registros de projetos do paisagista (no Aterro do Flamengo e no Museu de Arte Moderna do Rio, por exemplo). As fotos nunca foram exibidas na entidade. "Elas não tinham só um caráter documental. Havia uma afinidade estética muito grande entre os dois", explica Samuel Titan, coordenador cultural do IMS. A entrada é franca. As crianças poderão participar de oficinas de jardinagem e receberão mudas e sementes. Mais informações no site www.ims.com.br.

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