Cem carros do CPTran abandonados no pátio

Cerca de cem carros herdados do extinto Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran) estão abandonados no pátio da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), na Rua Marquês de São Vicente, na zona oeste. A frota equivale a 19% dos 516 veículos remanescentes da CPTran e está sem uso desde o início do ano. De acordo com um funcionário da CET, porém, 50 deles estão em perfeito estado e não há motivo para que não estejam em circulação nas ruas. Desde o fim do órgão, em março, outros veículos foram flagrados pelo JT sem uso, conforme matéria publicada no dia 14 de maio. Na época, foram fotografados cerca de 102 carros parados, sem manutenção, no pátio da Polícia Militar, na Rua Coronel Antônio de Carvalho, atrás do Terminal Rodoviário do Tietê. O chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Transportes, Luiz Silveira Rangel, ficou irritado. "Se elas estiverem paradas, nós vamos retomar", disse. Ontem, a secretaria não comentou o fato. A assessoria de Comunicação Social da Polícia Militar informou que "todas as viaturas estão em circulação" e negou que existam veículos, em bom estado, estacionados. Mas a informação foi desmentida pela assessoria de imprensa da CET. Segundo eles, 68 veículos estacionados no pátio da empresa esperam, há quatro meses, inspeção da PM para manutenção e troca de peças. O JT verificou que entre os carros abandonados no pátio da CET estão Gols, Kombis, caminhonetes, guinchos e motos. Além do abandono e da falta de manutenção dos veículos, muitos transtornos têm prejudicado à população. O principal deles vem ocorrendo desde o fim do CPTran. Apenas os agentes da CET - e, informalmente, três companhias da CPTran transformadas em comandos táticos - permanecem dedicados exclusivamente ao policiamento de trânsito. Várias equipes atendendo a mesma ocorrência "Tivemos ocorrências de trânsito em que três batalhões diferentes apareceram no local", contou um policial que preferiu não se identificar. Ele relatou outras situações dramáticas, como a ocorrida após um acidente na Marginal Tietê. "A ocorrência só foi feita horas depois", afirmou. Para ele, o despreparo dos policiais não pode ser admitido. "Além disso, dos veículos do CPTran, 60% estão sem manutenção e abandonados", afirmou o policial. Os ex-funcionários do CPTran ficaram encarregados de capacitar os demais policiais para a tarefa de fiscalizar o trânsito no município, inclusive aplicando multas em motoristas infratores. Na prática, no entanto, o convênio entre a Prefeitura e o Estado, firmado em 1973 e remodelado em 1999, ainda não foi rediscutido. Para acabar com a confusão, a Secretaria Estadual de Segurança Pública prevê que até a primeira quinzena de julho representantes da Secretaria de Transportes do Município e da Polícia Militar devem se reunir para acertar os detalhes do convênio. Na pauta está o reaproveitamento dos 2.800 policiais que atuavam no CPTran na formação de outras 14 companhias da PM. A frota do comando era formada por 516 veículos e foi devolvida pela Prefeitura ao Estado desde março. Entre os devolvidos, poucos já foram recuperados e estão sendo utilizados no policiamento. Antes disso, os veículos que tinham sua manutenção feita pela Prefeitura tiveram de passar, um a um, por vistorias no Centro de Suprimento e Manutenção/Moto Mecanização (CSM/MM), da PM. O acordo até agora determina que o Estado se torne responsável pela manutenção e custeio das equipes e da frota usada na fiscalização. A tarefa cabia, antes, à Prefeitura, que ainda pagava R$ 180 por mês aos funcionários do CPTran. O benefício foi cancelado com a extinção do órgão.

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