Caio Marcelo/ Agência RBS
Caio Marcelo/ Agência RBS

Cem mil vão às ruas em SC; Florianópolis fica isolada por 4 horas

Protestos ocorreram em 39 municípios; com as pontes ocupadas, ninguém saiu ou entrou na ilha no período das 19 às 23 horas

Júlio Castro, de O Estado de S. Paulo,

20 Junho 2013 | 23h53

FLORIANÓPOLIS - Cerca de 100 mil catarinenses em 39 municípios, segundo a Polícia Militar, saíram às ruas na chuvosa tarde e noite de quinta-feira em mais um dia de manifestações. Conforme informações da Polícia Militar foram registrados atos em 39 municípios do Estado, sendo Florianópolis a cidade que reuniu o maior número: 30 mil, segundo a Polícia Militar. Ninguém saiu ou entrou na Ilha de Santa Catarina no período das 19 às 23 horas. Por volta das 19 horas, a multidão deu início a ocupação de 100% das pontes Colombo Machado Sales e Pedro Ivo, ambas com cerca de um quilômetro de extensão. Pelo simbolismo e a importância das pontes, o feito foi considerado o maior ato popular da história de Santa Catariana.

A maioria iniciou a desocupação das pontes por volta das 20h30, porém um pequeno grupo - cerca de 500 pessoas - permaneceu irredutível nas cabeceiras das pontes. A polícia definiu a estratégia de evitar o confronto com esta minoria por orientação do alto comando da corporação, apostando no diálogo para que se retirassem do local. Surpreendentemente, às 22h30, quando se encaminhava a liberação, o grupo decidiu tomar novamente as pontes.

Revoltados, os motoristas dos veículos que aguardavam a liberação, ameaçaram romper o cordão de isolamento feito pela Polícia Militar. "Estou parado há quatro horas e com mais cinco pessoas dentro do carro, algumas idosas e com fome. Já deu. O recado já foi dado e é preciso bom senso destes manifestantes", argumentou o motorista Luciano. O clima tenso nas cabeceiras das pontes contribuiu para que os manifestantes e a PM chegassem num acordo e o trânsito foi liberado gradativamente, com a utilização de apenas duas das quatro pistas da ponte Pedro Ivo Campos. Logo em seguida, o acesso ao continente também foi liberado com muita lentidão. Calcula-se que aproximadamente 12 mil veículos permaneceram parados ao longo do período da interdição.

Sem confronto. Durante todo o período de protestos, a PM não registrou ocorrências relevantes provocadas pelos manifestantes. Algumas discussões foram registradas, as que envolveram aqueles que ensaiaram participar do ato portando bandeiras de partidos. Partidários do PDT, PT, PSTU e do PC do B foram vaiados e solicitados a guardar suas bandeiras ou se retirar das manifestações pelos líderes do movimento. Na capital, o aumento no número de manifestantes em relação ao ato de terça-feira - quando 10 mil pessoas inauguraram a série - se deu com a adesão de estudantes de todas as faixas etárias e crianças acompanhadas dos pais. Os manifestantes definiram pelo menos três locais de concentração, a Assembléia Legislativa, o Terminal do Centro (Ticen) e a avenida Beira Mar, de onde partiram para a tomada das pontes.

Manifestações também foram registradas com volumosa participação nas principais cidades catarinenses, entre elas Joinville, Blumenau, Rio do Sul, Chapecó, Tubarão, Criciúma e Lages. Em Lages, a PM informou que oito mil pessoas participaram do protesto em caminhada pelas principais ruas da cidade do Planalto Serrano. Conforme A PM, jamais na história do município serrano um ato reuniu tanta gente nas ruas.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.