WILTON JUNIOR / ESTADAO
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Cenário: Com redução recente de mortes, ES subestimou a crise

Secretaria de Segurança não esperava que o movimento com um grande número de familiares de policiais se multiplicasse

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S. Paulo

07 Fevereiro 2017 | 03h00

Uma das preocupações no gabinete da Secretaria de Segurança do Espírito Santo no sábado era descolar o problema do Estado dos massacres penitenciários que deixaram mais de uma centena de mortos no começo do ano em Amazonas, Roraima e Rio Grande do Norte. Avisados na sexta das manifestações na frente de batalhões de Serra, na Grande Vitória, e Cachoeiro de Itapemirim, no sul, a pasta não esperava que o movimento com um grande número de familiares de policiais chegasse, no sábado pela manhã, a outras 28 cidades, e se multiplicasse ainda mais até esta segunda-feira. 

Sem conseguir evitar esse avanço, a secretaria passou a minimizar os efeitos das paralisações, dizendo agir com outras tropas da corporação. Com a notícia de que o número de homicídios superara os 50, somada a gravações de saques pelas ruas, a administração não pôde escapar de ver presentes os mesmos fatores contidos na tragédia dos presídios: alto número de mortos - dessa vez nas ruas -, temor da população e necessidade de reforço das Forças Armadas e da Força Nacional - cuja primeira atuação, em 2004, ocorreu no Estado capixaba e onde passou duas outras vezes depois disso.

A situação, no entanto, contrasta com a política de segurança que vem sendo desenvolvida desde 2011, e é elogiada por especialistas diante do relativo sucesso na redução de homicídios. A taxa de mortes por 100 mil habitantes, que era de 48,2, passou para 39,7 por meio do programa Estado Presente em Defesa da Vida, lançado pelo então governador Renato Casagrande (PSB) - a média nacional é de 27,2. O ritmo de queda permaneceu na gestão Paulo Hartung (PMDB).

Ele mudou o nome - de Estado Presente passou a ser Ocupação Social -, mas manteve os articuladores. O atual secretário de Segurança, André Garcia, era titular da pasta de Ações Estratégicas de Casagrande e teve participação direta na criação do programa para reduzir a violência, com base em modelos bem-sucedidos - o Pacto pela Vida, em Pernambuco, era um exemplo. 

A queda de crimes agora esbarra em um ponto esquecido dos programas: a valorização do policial. Os agentes dizem estar há sete anos sem nenhum reajuste. A paralisação da categoria, assim, alterou a rotina das cidades, fazendo ser registrado em um único fim de semana uma quantidade de mortes equivalente à média de crimes em mais de duas semanas. 

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