DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
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Cenário: Segundo escalão da FDN deu ‘tiro no pé’ com matança

Agentes de segurança do Estado avaliam que os assassinatos mais prejudicam do que melhoram os negócios criminosos da facção

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S. Paulo

05 Janeiro 2017 | 03h00

O maior massacre em prisões do País desde o Carandiru, em 1992, levou o governo do Amazonas a criar uma força-tarefa de investigação, reforçar a segurança nas unidades com a PM, além de ter atraído a atenção de todo o País e de autoridades internacionais. Agentes de segurança do Estado avaliam que os assassinatos mais prejudicam do que melhoram os negócios criminosos da Família do Norte (FDN), na medida em que a vigilância sobre a facção deve ser redobrada, com transferência de líderes para presídios federais.

Essas lideranças que deverão ser responsabilizadas pelo massacre, no entanto, são um segundo escalão da FDN. Quem explica isso é o próprio secretário de segurança do Amazonas, Sérgio Fontes. Em 2015, a Polícia Federal deflagrou a Operação La Muralla, que investigou as ações da facção e já tinha conseguido transferir algumas dos integrantes da cúpula para unidades federais. Um deles, Gelson Lima Carnaúba, o Mano G, acabou preso e levado à unidade em Catanduvas, no Paraná. A sua permanência numa prisão federal foi renovada em novembro do ano passado por mais um ano; o limite é de dois anos.

Com a cúpula fora, sobraram outros integrantes com papel de influência que encabeçaram a ideia do massacre como positiva para os negócios. Fontes acredita que decisão foi um “tiro no pé”. “As lideranças antigas bem ou mal tinham uma ideia de negócio, queriam ganhar dinheiro e foram identificadas e levadas ao presídio federal. Essa ruptura deixou para trás integrantes menos qualificados e menos inteligentes para ditar os rumos da FDN no nosso Estado”, disse o secretário. “Não é inteligente para o crime organizado ter matado esse monte de gente porque causou uma reação natural do Estado, o que deve impor a eles perda de dinheiro”, acrescentou.

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