Centenário, frevo é declarado patrimônio nacional

O frevo agora faz parte do patrimônio imaterial nacional. A decisão, que marca o centenário do ritmo pernambucano, comemorado nesta sexta-feira, foi anunciada pelo ministro da Cultura, Gilberto Gil, e pelo presidente do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan), Luiz Fernando de Almeida, em Recife (PE). O conselho consultivo do Iphan se reuniu a portas fechadas na sacristia da Igreja de São Pedro dos Clérigos, durante três horas e meia. Quatorze dos 22 membros do conselho aprovaram o registro do frevo no patrimônio imaterial brasileiro. O quórum mínimo para a aprovação é de 12 votos favoráveis. Os conselheiros aprovaram também o tombamento como patrimônio histórico da casa de vidro projetada e construída em São Paulo pela arquiteta Lina Bo Bardi. O Iphan considera como patrimônio cultural imaterial ?as práticas e formas de ver e pensar o mundo, as cerimônias, danças, músicas, lendas e contos, histórias, brincadeiras junto de objetos, instrumentos e lugares associados a eles?. Segundo o presidente do Iphan, na prática este registro compreende duas vertentes - o valor simbólico e o aspecto econômico. ?Dá mais visibilidade às políticas públicas. Com a Lei Rouanet se for um patrimônio nacional é mais rápido para se obter recursos?, disse Almeida que anunciou o projeto da criação do Museu do Frevo, que deve ser inaugurado em dois anos. Para o ministro Gilberto Gil, a aprovação do registro mostrou uma sintonia entre o Iphan e o Ministério da Cultura. ?O frevo é exigente, sofisticado e cultivado em corpo e espírito. É um gênero que canta e conta com muita exatidão a história de Olinda, Recife e Pernambuco.? Depois da cerimônia no Pátio da Igreja, o artista Antonio Nóbrega convocou o público a acompanhar seu arrastão com a música Frevo, composição feita por oito compositores (incluindo ele), numa ação inédita no que diz respeito a esse tipo de música. "Um frevo básico tem 32 compassos, então cada um compôs quatro compassos e foi passando para o outro autor." Saindo do pátio, blocos, orquestras, passistas e curiosos atenderam o chamado e atravessaram algumas das principais avenidas da cidade sem deixar o frevo cair. A esse grupo, outras pessoas foram se juntando no caminho e virou uma grande festa. As duas horas de trajeto foram tranquilas, sem registros de ocorrências. Os foliões foram conduzidos até o palco do Marco Zero e recebidos com fogos de artifício. Lá, nomes importantes da MPB fizeram sua homenagem ao frevo, entre eles, Gil, Maria Rita, Nóbrega, Ney Matogrosso, Lenine. Antes da maratona de shows começar, cerca de 60 mil pessoas, segundo a organização, já se aglomeravam na frente do palco. Olinda As comemorações do centenário do frevo começaram no raiar do dia em Recife e Olinda quando os moradores foram despertados ao som de pistons, tambores, trombones e sax, instrumentos responsáveis pelo molho musical do ritmo pernambucano. Em Olinda, cerca de 350 músicos, 18 passistas e 30 bonequeiros (como são chamados aqueles que carregam os bonecos gigantes) começaram a se concentrar no Alto da Sé, por volta das 5 horas e, duas horas depois, saíram em cortejo pelas ladeiras do Sítio Histórico da cidade. ?Vamos tocar frevo de rua, frevo-canção e frevo de bloco?, contou o maestro Clovis da Silva, presidente da Associação dos Maestros de Olinda, que corria de um lado para o outro orientando seus músicos.

Agencia Estado,

09 Fevereiro 2007 | 22h12

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