Centro abrigará Ocupação Cultural

As atrações gratuitas tomarão praças, largos e o Pátio do Colégio

Mônica Cardoso, O Estadao de S.Paulo

17 Agosto 2009 | 00h00

O centro será ocupado. Mas essa ocupação será feita de forma pacífica, por meio da arte. Essa é a ideia do projeto "Ocupação Cultural - Centro Histórico de São Paulo", que ocorre nos dias 28, 29 e 30 deste mês. A proposta é unir cada ponto histórico da capital a um tipo de evento cultural: cinema na Praça da Sé, música no Largo de São Bento, dança na Praça do Patriarca, teatro no Largo de São Francisco e artes visuais no Pátio do Colégio. E todas as atrações serão gratuitas.A proposta surgiu há quase um ano, quando o idealizador do projeto, Fábio Ávila, foi apresentar o centro histórico a um grupo de amigos alemães. "Fomos passear no Pátio do Colégio em um sábado à noite. Aparentemente, não havia perigo, uma base da Polícia Militar estava ali perto, mas eles ficaram com medo. Estava tudo escuro e vazio. Foi quando pensei em trazer as pessoas para o centro por meio de atividades culturais. É preciso fazer o paulistano sentir vontade em ocupar esse espaço público que guarda a história da fundação da cidade", conta ele, diretor-presidente da Editora Empresa das Artes, organizadora do projeto.A Ocupação Cultural também vai ocorrer em outubro (23, 24 e 25) e em dezembro (20, 21 e 22). A proposta é tornar o projeto mensal no próximo ano. Os artistas, entre atores, músicos, dançarinos e mágicos, farão intervenções pelo miolo da região central. Eles se apresentarão gratuitamente, sendo que alguns são financiados pela Secretaria de Cultura. Na sexta-feira à tarde, para divulgar o evento, malabaristas e mímicos farão performances em estações de ônibus e metrô, distribuindo panfletos com o mapa dos locais, com atrações e horários. Nos cinco pontos, a abertura será feita com a execução do Hino Nacional em diferentes versões - ao piano, com cavaquinho, por um barítono ou um coral. O cinema dará início à programação. A exibição do filme Dois Filhos de Francisco ocorre ao ar livre, em uma tela inflável gigante na Praça da Sé, às 18h30 do dia 28 (mais informações no quadro acima). O público poderá acomodar-se em 1.200 cadeiras no calçadão da praça.A partir daí, outras atrações devem ocorrer simultaneamente pelo miolo da região central, incluindo exibições de grupos de dança étnicos, street dance, corais, orquestra de violeiros, bonecos mamulengos, números circenses, contadores de histórias, peças de teatro e marionetes. A austeridade do Largo de São Bento, por exemplo, dará lugar à batida contagiante da bateria das escolas de samba Camisa Verde e Branco e Vai-Vai. As atrações devem começar pela manhã, por volta das 10 horas, e terminar até, no máximo, às 22 horas. Além do fácil acesso pelo transporte público, os organizadores vão estimular a população a ir com bicicletas até a região. "Os projetos para a revitalização do centro são bons, mas são pontuais e demorados. Nossa intenção é sensibilizar tanto o poder público quanto os moradores da cidade a se apropriar do espaço público e a cuidar da região central com pequenas soluções, como a limpeza das fachadas e a conservação das calçadas e das praças", diz Ávila. PARISEle acredita que essa apropriação resulte num efeito em cascata, com a melhoria da iluminação e da segurança. Bares e restaurantes podem até estender o horário de funcionamento - de olho na maior circulação de pessoas. Ele cita como exemplo o bairro Le Maris, uma área deteriorada de Paris, que graças às manifestações artísticas foi recuperado e hoje concentra uma rica vida cultural.

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