Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) exibe a exposição 'Um olhar sobre o Brasil'

Mostra, realizada pela Fundación Mapfre e organizada pelo Instituto Tomie Othake, traz 300 imagens reunidas para contar 170 anos da história nacional

Heloisa Aruth Sturm, O Estado de S. Paulo

12 Março 2013 | 12h34

RIO - A fotografia é a personagem central de uma exposição que ajuda a entender a história recente brasileira e a importância da imagem como instrumento de construção da identidade nacional. O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) exibe, em sua sede no centro do Rio, a exposição "Um olhar sobre o Brasil. A Fotografia na construção da Imagem da Nação". A mostra, realizada pela Fundación Mapfre e organizada pelo Instituto Tomie Othake, traz 300 imagens de acervos públicos e de coleções particulares, que foram reunidas para contar 170 anos da história nacional.

"Nós temos que trabalhar com imagens-síntese, porque cada tema desses tem centenas de imagens. Difícil foi trabalhar buscando essa síntese, buscando fazer referências com a história", afirma o curador Boris Kossoy, professor titular da USP e especialista em história da fotografia. O trabalho de pesquisa, que conta com a curadoria adjunta da antropóloga e historiadora Lilia Moritz Schwarcz, levou quatro anos para ser concluído.

Cada imagem é acompanhada de uma "microhistória", um texto que resgata o contexto político-social em que ela está inserida. "Estamos vendo aquelas famosas histórias oficiais, só que de outra forma, onde a fotografia é um instrumento mesmo de comunicação. Mas não se pode abdicar do signo escrito como meio de conhecimento", diz o curador. O ponto de partida da exposição é o da invenção da técnica da fotografia no País pelo franco-brasileiro Hércules Florence, em 1833. Florence desenvolveu um método para produzir rótulos de farmácia e diplomas maçônicos de forma seriada, utilizando sais de prata, o que viria a ser a primeira experiência do processo de foto. "Ele praticamente não teve o alcance da importância dessa descoberta, que ele dá o nome de fotografia, seis anos antes de o termo ser usado na Europa pela primeira vez."

Na seção dedicada ao Império, fotógrafos anônimos reproduzem os contrastes sociais da época. São registros da alta sociedade, de negros e índios, que reforçam o projeto colonialista em voga, de defender a superioridade dos brancos. "Busca-se o exótico como imagem de exportação, e é o que começa a se cristalizar como imagem do Brasil. Essa é a imagem que se vê já no século 19, e ela não vai mudar no 20. No 20 ela muda de roupagem: é o futebol, o carnaval, o samba, mas sempre visto de uma forma exótica", afirma o curador.

Dividida em quatro grandes eixos temáticos (política, sociedade, cultura, paisagem), a mostra traz registros de diversas manifestações e revoluções no País desde o período da 1ª República, como Canudos, Revolta da Armada, Contestado e o Tenentismo. A construção de Brasília, a tópica da modernidade, os anos de chumbo, a reabertura política: fatos marcantes da história nacional são registrados pelas lentes de fotógrafos famosos e anônimos, e dividem espaço com imagens que destacam o cotidiano e os personagens comuns que também ajudaram a construir a identidade nacional. "São flashes e lances da história. É um projeto para mostrar como a linguagem da imagem pode nos transmitir um olhar sobre o Brasil." A exposição é gratuita e vai até o dia 07 de abril.

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