Centro de SP volta a ganhar edifícios residenciais

No anúncio, uma aquarela mistura a imagem das bancas de flores do Largo do Arouche com a perspectiva dos prédios. No detalhe, o poste de iluminação característico da região. O apelo publicitário, claro, é a localização: perto de tudo. É dessa forma que o centro de São Paulo - precisamente os distritos Sé e República - recebe o primeiro lançamento imobiliário, vendido na planta, dos últimos 20 anos, pelo menos. Especialistas do setor imobiliário e defensores da revitalização do centro não são muito precisos sobre o tempo que a região ficou à margem do mercado. Uns dizem 40 anos, outros 20. Mas todos concordam que o velho centro da capital pode se tornar um foco de expansão de condomínios residenciais caso esse lançamento obtenha êxito. "A gente percebe que há uma procura, há um público interessado na região", afirma José Roberto Federighi, responsável pela consultoria imobiliária à incorporadora, a TPA, que resultou no lançamento do Novo Centro Arouche. Federighi é também vice-presidente do Sindicato da Habitação (Secovi) e diz ter outros terrenos em vista para novos empreendimentos caso esse seja bem-sucedido. Oportunidade O Novo Centro Arouche terá 200 apartamentos de dois dormitórios, de 48 m? a 52 m? de área útil, com preços a partir de R$ 120 mil. No térreo, área de lazer com piscina, playground e quadra poliesportiva, muito diferente das lojas comerciais e de serviços que costumam ocupar a mesma a base de velhos prédios residenciais do centro. "Eu acho que se abre uma ótima oportunidade de trazer para o centro uma população que já morou na região, e a piora progressiva no trânsito é a principal razão disso", considera Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp). "O centro se tornou um local privilegiado, cheio de qualidades." A Embraesp acompanha todos os lançamentos do mercado imobiliário paulistano desde 1985. Nos últimos 27 anos, foram registrados oito lançamentos na Sé e na República, porém seis retrofit (reforma e requalificação de prédios antigos), segundo Pompéia. Lançado em 2005, o Paradise Studio, na Rua Marquês de Itu, não chega a ser um empreendimento residencial. Segundo a Embraesp, esse edifício composto de estúdios de 29 m? (quitinetes), sem área de serviço, é um produto não direcionado a famílias, uma espécie de flat e não foi lançado na planta - já estava quase concluído. "Bairros vizinhos, como Campos Elísios e Liberdade, estão recebendo lançamentos, o que reforça a tese de que há um movimento de valorização do centro", afirma Pompéia. Para o professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP Emílio Hadad, a divulgação das iniciativas de revitalização pode justificar esse movimento. "Mas são distritos com poucos terrenos".

Agencia Estado,

25 Fevereiro 2007 | 13h16

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