Carlos Macedo-Agência RBS/Estadão
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Centro de Tradições que teria casamento gay é incendiado no RS

Polícia admite que local pode ter sido alvo de ataque; telefonemas ameaçavam atear fogo como protesto contra a união homoafetiva

Elder Ogliari, O Estado de S. Paulo

11 de setembro de 2014 | 10h07

Atualizada às 23h45

PORTO ALEGRE - Um incêndio destruiu na madrugada desta quinta-feira, 11, o palco do Centro de Tradições Gaúchas (CTG) Sentinelas do Planalto, em Santana do Livramento, a 489 quilômetros de Porto Alegre, onde no sábado seria realizado um casamento coletivo com a participação de duas lésbicas. O incêndio virou caso de polícia. Há suspeita de homofobia e indícios de que tenha sido em represália à celebração da união entre as mulheres.

Ninguém ficou ferido no episódio, que serviu para confirmar as ameaças que Gilbert Gisler, o “patrão” - espécie de presidente do centro -, vinha recebendo. O fato de um dos casais ser formado por duas mulheres vem levantando a ira entre os tradicionalistas mais fervorosos e em parte da população em geral, que condena a união homoafetiva no local.

A iniciativa do casamento partiu da diretora do Foro de Livramento, juíza Carine Labres. Segundo a magistrada, o Judiciário da cidade organiza casamentos coletivos para pessoas de baixa renda duas vezes por ano. Depois do primeiro evento, em março, sua sugestão foi realizar o segundo em um CTG, aproveitando as comemorações da Semana Farroupilha - cujo ápice é o dia 20 de setembro.

A ideia foi proposta e o patrão do Sentinelas do Planalto topou o desafio. “Depois de proposto pela juíza, eu informei o CTG. Uma única pessoa foi contrária. Todos os outros apoiaram”, disse Gisler.

O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta de 0h30 desta quinta e levou três horas para controlar as chamas, que atingiram principalmente o palco da agremiação. A Polícia Civil de Livramento trata o caso como incêndio criminoso. De acordo com a delegada Giovana Müller, titular da 1.ª Delegacia da cidade, um artefato incendiário foi atirado no prédio. “Um coquetel molotov, uma garrafa de vidro com gasolina, foi jogada pela parte de trás e atingiu principalmente o palco de madeira. Ainda não temos suspeitos.” Informações desencontradas davam conta de que testemunhas avistaram quatro homens em um veículo Volkswagen Gol branco na região do CTG. “Mas não conseguimos apurar a veracidade.” 

Giovana admitiu que esperava alguma manifestação pública de desacordo em relação ao casamento, “mas não imaginava que chegaria a esse ponto”.

Reconstrução. A juíza garantiu que o casamento será realizado no sábado. “Infelizmente, o incêndio aconteceu, apesar de todas as medidas preventivas que foram adotadas. Nós vamos trabalhar agora para ajudar a reerguer o CTG, a fim de que o casamento coletivo aconteça dia 13, às 16 horas, como está programado”, afirmou Carine.

Segundo o patrão Gisler, mais de 40 pessoas têm trabalhado para a festa. Personagens principais em toda a história, o casal Solange Ramires, de 24 anos, e Sabriny Benites, de 26, decidiu não se manifestar.

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