Centro vai ganhar a Casa da Imagem

Casarão do século 19 será restaurado para abrigar fotos sobre a cidade

Mônica Cardoso, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

13 de maio de 2009 | 00h00

A Casa Número 1, localizada ao lado do Solar da Marquesa de Santos e do Pátio do Colégio, no centro de São Paulo, vai abrigar a Casa da Imagem. Mas, antes, será restaurada. As obras, orçadas em R$ 2,6 milhões, devem começar em junho. Hoje, será assinado o contrato com a Concrejato, empresa vencedora da licitação. A reinauguração está prevista para maio de 2010. A casa tem esse nome por ser a primeira da Rua Roberto Simonsen, antiga Rua do Carmo. Além do restauro do telhado, janelas e pisos, será feita avaliação de toda a estrutura interna do imóvel, atingido por um incêndio há cerca de um ano.O casarão de 1871, que já serviu de abrigo para bandeirantes e foi tombado pelo patrimônio histórico, será transformado na Casa da Imagem de São Paulo, que será responsável pela preservação e difusão do acervo de fotografias sobre a cidade. A coleção conta com raridades do século 19 de fotógrafos como Guilherme Gaensly. "Temos mais de 600 mil negativos de fotografias da cidade. A nossa ideia é concentrar todo o acervo na Casa da Imagem", explica o secretário municipal da Cultura, Carlos Augusto Calil. O local contará ainda com terminais de computador com as imagens digitalizadas para consultas públicas e exposições temporárias sobre o acervo. A iniciativa de organizar um acervo de fotos da cidade partiu do escritor Mário de Andrade quando ele criou o Departamento de Cultura. Na época, ele adquiriu mais de mil negativos de vidro com imagens produzidas por Aurélio Becherini, que mostravam a transformação da paisagem urbana na capital.Além da Casa Número 1, outros 11 exemplares arquitetônicos históricos que compõem o Museu da Cidade devem passar por processos de restauro e conservação. O Sítio Morrinhos, no Jardim São Bento, zona norte, e a Casa do Grito, no Ipiranga, zona sul, já foram recuperados. Algumas obras fazem parte do Programa de Revitalização do Centro que conta com financiamento de US$ 100,4 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).No Solar da Marquesa de Santos, localizado ao lado da Casa Número 1, na região central, as obras de restauro seguem. Com obras orçadas em R$ 2 milhões, o museu deve ser reaberto até março de 2010. Toda a estrutura do telhado do casarão de cinco andares está sendo recuperada. Muitas esquadrias de madeira das portas e janelas estavam apodrecidas por causa de infiltrações e ataques de fungos e cupins. Naquelas que ainda têm condição para uso é feito um trabalho de marchetaria. São mais de 200 portas com largura de 1,20 metro. Mas o edifício, último remanescente da arquitetura residencial urbana do século 18, ainda conserva características originais. Paredes de taipa de pilão e pau a pique resistem ao tempo e algumas serão envidraçadas para mostrar a antiga técnica aos visitantes. Debaixo de camadas de tintas, os restauradores encontraram pinturas murais nas paredes e acima dos batentes. Douramento com fundo rosado se escondiam no forro do teto.As escavações arqueológicas, com profundidade de até 2,50 metros no solo, descobriram artefatos antigos que podem dar pistas sobre o cotidiano dos antigos moradores, como fragmentos de pisos, cerâmicas, porcelanas e até um cachimbo. Os objetos foram encaminhados para o Sítio Morrinhos. "Estamos registrando todo o processo de restauro que servirá como um documento histórico para as gerações futuras", conta Antonio Luiz Sarasá Martins, arquiteto responsável pelo projeto.Segundo ele, o solar guarda características distintas de pintura e estrutura por causa das inúmeras utilizações do imóvel em diversas épocas. Entre os anos de 1834 e 1867, o edifício pertenceu à Maria Domitila de Castro Canto e Melo, a Marquesa de Santos, e se tornou o centro da sociedade paulistana por causa das famosas festas e saraus literários.Em 1880, foi transformado no Palácio Episcopal e usado como residência para bispos da Igreja Católica. No ano de 1909, o local se tornou a sede da The São Paulo Gaz Company, que mais tarde passou a se chamar Comgás. Em 1975, o imóvel abrigava a Secretaria Municipal da Cultura. Na década de 1990, o local foi desocupado pela Prefeitura para se tornar um museu, abrigando acervo histórico e artístico como móveis e fotografias da cidade.

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